Você acaba de tomar uma decisão. Sim! Ler as 6 primeiras palavras deste artigo foi uma decisão. E esta pode ter sido uma das 1.000 decisões conscientes que você toma todos os dias. Isto sem contar outras 5.000 decisões inconscientes ao longo do mesmo dia.

Logo cedo, quando o nosso despertador toca, já somos convidados a tomar uma decisão. Levantar ou apertar o ‘soneca’? E assim seguimos com as centenas de decisões que acabam influenciando a qualidade do nosso dia. Mais do que isto, decisões acumuladas ao longo de um período possuem o poder de definir a qualidade da nossa vida. Afinal, somos hoje o resultado das decisões que tomamos no passado, não é mesmo?

E como deve ser um processo de tomada de decisão eficaz? Como ampliar a qualidade das nossas decisões? A maneira como decidimos pode influenciar nossas vidas tanto quanto as decisões em si?

Este artigo pretende trazer alguns pontos de reflexão para tentar responder estas perguntas. Creio que cada um possui o seu modo de decidir e não penso que exista “certo” e “errado”. Entendo apenas que o ato de decidir é uma habilidade que (sempre) pode ser aprimorada, como várias outras habilidades tais como: comunicação, flexibilidade, persuasão, venda de ideias, relações interpessoais, liderança, etc.

Mas o que caracteriza uma decisão?

Acredito que uma decisão precisa estar vinculada necessariamente a uma ação. O simples raciocínio lógico (ou nem tanto) que usamos para tomar uma decisão não pode ser considerado eficaz se o seu resultado prático não for uma ação específica e consciente. Em outras palavras, decidir e não fazer nada a respeito é uma forma de “procrastinação disfarçada”. Vejamos um exemplo. Decidir fazer exercícios físicos e não fazer nada a respeito não pode ser considerada uma decisão de fato. Sabe por que? Porque não há uma ação associada que materialize a decisão supostamente tomada. O raciocínio que realizamos com o objetivo de decidir precisa levar em conta que o processo só terá evoluído, a partir da execução de uma ação tangível e específica na qual o raciocínio se desenvolve. A expressão: “Decidi que vou fazer exercícios físicos de forma regular, mas não vou fazer nada agora pois preciso me organizar primeiro”, não pode ser considerada uma decisão. Trata-se de uma expressão carregada por um componente de auto-sabotagem. Veja caro leitor, como ‘ação’ estou me referindo ao ‘próximo passo’. Por mais simples que seja, este próximo passo precisa ser claro, relevante, específico e tangível. Precisa estar fortemente vinculado com a decisão tomada a ponto de ser confundida com a própria decisão. No nosso exemplo, poderíamos dizer: “Pretendo fazer exercícios físicos de forma regular. Para caracterizar esta pretensão, meu próximo passo será separar 15 minutos hoje à noite, das 21h até às 21h15min, para reorganizar minha agenda”. Ao término da execução da ação, outros próximos passos deverão ser definidos e executados o que irá trazer a percepção de que a decisão foi de fato tomada.

Portanto, ao tomar uma decisão, pergunte-se:

  • Qual a ação que devo colocar em prática como próximo passo?
  • Esta ação está alinhada com a decisão que a originou?
  • Esta ação é relevante, mensurável, tangível e específica?
  • Esta ação me aproxima ou me afasta da decisão que tomei?
  • Ao responder os 4 pontos acima, como posso avaliar a eficácia da minha decisão?

Na prática, uma decisão pode então ser vista como o resultado final de uma sequência de ações cujos resultados acabam se fundindo com a própria decisão. Em outras palavras, decidir é agir. Para definir a qualidade de uma decisão devemos descobrir a eficácia das ações a ela associadas. Processos complexos de decisão poderão desencadear uma quantidade enorme de ações. Por outro lado, processos de tomada de decisão mais simples podem exigir apenas algumas poucas ações.

Para finalizar, gostaria de reiterar a premissa que serviu de sustentação para este artigo: acredito fortemente que podemos aprimorar a habilidade de tomar decisões. Ao estudar alguns princípios de neurociência, pude descobrir que cada pessoa possui mapas mentais próprios. Não existem dois cérebros iguais. O que funciona para uma pessoa, dificilmente irá funcionar para outra. Desta forma, procurei desenvolver este texto com a ideia de que, independente dos componentes que sustentam o raciocínio usado na tomada de decisão, a sua qualidade será proporcional à capacidade de traduzi-la em uma “série de próximos passos”.

Este artigo lhe foi útil? Decidiu fazer algo a respeito? Então qual será o seu ‘próximo passo’?

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