Populações isoladas da Amazônia têm acesso à energia solar

Projetos oferecerem conhecimentos em informática e energias renováveis para moradores de comunidades
O Instituto Mamirauá conclui, esta semana, o projeto ‘Energia Solar para Inclusão Digital’. Ao longo da semana, será realizada a capacitação da componente energia solar na comunidade São João do Ipecaçu, na Reserva Amanã (AM), que, por meio do projeto, teve pela primeira vez acesso à internet, instalada na comunidade. Em Tefé, estudantes receberão seus certificados em uma cerimônia a ser realizada na sexta-feira, (20). O curso é oferecido pelo Instituto Mamirauá com o patrocínio da Huawei, empresa líder global no segmento de tecnologia, e por meio do Instituto Cooperforte.
Segundo Dávila Correa, uma das coordenadoras do projeto, o Instituto Mamirauá tem trabalhado em projetos com energia solar através de duas perspectivas. “Uma é realizar a aplicação de tecnologias sociais em colaboração com comunidades ribeirinhas de unidades de conservação. A segunda é disseminar o conhecimento através de capacitações, que contribuem para a transferência da tecnologia e também apresentam caminhos para a gestão comunitária de um projeto com energia solar. Acreditamos que assim contribuímos para ampliar o acesso das populações da Amazônia à tecnologias que estão em uso pelo mundo e para a discussão política de outras formas de geração de energia”, disse.

A proposta do projeto foi oferecer conhecimentos em informática e energias renováveis e preparar jovens para o mercado de trabalho, por meio de quatro módulos: Formação para a Cidadania, Informática, Manutenção de Computadores e Sistemas Fotovoltaicos. O curso foi oferecido para jovens da comunidade, a partir de uma parceria com os artesãos do Grupo Teçume da Amazônia.

“Foi uma proposta que nasceu do projeto de um jovem da comunidade ligado ao grupo, que foi estudante do Centro Vocacional Tecnológico”, comentou Sandro Augusto Regatieri, do Centro Vocacional Tecnológico do Instituto Mamirauá. O projeto de conclusão de curso do jovem propôs a disponibilização de rede de internet na comunidade para contribuir para as atividades do grupo de artesanato. Foi instalado um sistema fotovoltaico para geração de energia para o funcionamento dos computadores o acesso à rede do Instituto Mamirauá. A comunidade está localizada a cerca de 76 quilômetros de Tefé e a população precisa se locomover de barco ou canoa até o município.
“A novidade para os estudantes foi o curso de informática, no qual eles ficaram muito interessados. Pois a maioria deles nunca teve contato com a internet ou com um computador e acho que isso foi o diferencial. Ao mesmo tempo, a discussão sobre cidadania, discussão de gênero, o direito à previdência social também chamou a atenção dos jovens”, comentou Sandro. “Acreditamos que a parceria com o Instituto Mamirauá e Instituto Cooperforte foi essencial para que os projetos de inclusão social e digital nessa região fosse um sucesso. A tecnologia transforma realidades e queremos contribuir com a transformação positiva de jovens em situação de vulnerabilidade social”, disse Alexander Rose, Gerente de Relações Públicas da Huawei do Brasil. “As oportunidades de capacitação gratuita de qualidade na região norte são extremamente escassas para jovens locais, por isso optamos por viabilizar o projeto na Amazônia”, acrescentou.
Marly das Chagas é coordenadora do Grupo Teçume da Amazônia, que reúne 15 mulheres de três comunidades da Reserva Amanã. Ela ressalta que já são 16 anos desde a fundação do grupo e que o trabalho tem alcançado também o mercado fora de Tefé. “A gente já vendeu até para os Estados Unidos, pra São Paulo, pro Rio de Janeiro, além da feira aqui na cidade. A nossa dificuldade maior é sobre a comunicação. A gente acha que, com a internet, com o aprendizado dos jovens, vai melhorar a nossa comunicação com os clientes”, comentou.
De acordo com Sandro, a equipe espera contribuir com conhecimentos que levem à autonomia dos jovens e das artesãs e artesãos das comunidades. “O objetivo é o fortalecimento do grupo, o empoderamento deles com o uso da internet. Coisas simples, como tirar nota fiscal eletrônica, para eles é um diferencial. Pela internet: descobrir novas padronagens para serem utilizadas, entrar em contato com compradores, com feiras, tirar nota fiscal eletrônica, conversar com parceiros ou mesmo o Instituto”, exemplificou.
O projeto une uma equipe interdisciplinar do Instituto Mamirauá para ministrar os cursos, envolvendo técnicos do Centro Vocacional Tecnológico, do Programa Qualidade de Vida e da Coordenação de Informática. Além de contar com a ajuda de parceiros. Nesta edição, um professor do Instituto Federal do Amazonas contribuiu para as aulas.
Fonte: Portal Amazônia