Por *Edson Martinho

A qualidade das instalações elétricas e a segurança de quem usa ou trabalha com eletricidade é algo que buscamos diariamente, mas a minha experiência e vivência, principalmente à frente da ABRACOPEL, associação que se preocupa em conscientizar a população sobre os riscos da eletricidade e como evitá-los, tem me mostrado que precisamos trabalhar muito mais no profissional do que na população, isto porque tenho lido, vivenciado e presenciado inúmeras situações de total falta de ética, travestido em diversas desculpas de “profissionais”, especialmente os que atuam na minha área, a eletricidade.

O que motivou escrever este artigo, foi justamente um princípio de discussão em um grupo que participo, quando um dos colegas enviou ao grupo um projeto de lei, que estava sendo conhecido como Projeto de Lei do DR, e que foi aprovado estando apenas aguardando a apresentação de recursos, caso haja, em que, no projeto original se dispunha sobre a obrigatoriedade da instalação do DR em instalações elétricas de baixa tensão. Esta notícia, que pode ser lida aqui (http://www.oblumenauense.com.br/site/camara-aprova-uso-obrigatorio-de-medida-contra-choque-em-instalacao-de-baixa-tensao/) foi o motivo da discussão. A partir desta notícia, outro membro do grupo fez um comentário que nos fez pensar um pouco. O comentário dizia em resumo: que mais uma lei seria “ignorada”, pois a norma já exige o uso de DR e não há o uso deste dispositivo na maioria das instalações. (Estes dados podem ser comprovados no documento Raio X das instalações elétricas – http://programacasasegura.org/blog/2017/05/04/raio-x-das-instalacoes-eletricas-residenciais-brasileiras/).

Pois bem, o colega dizia que a lei não serviria de nada, pois o governo não fiscaliza e, portanto, quase ninguém se preocuparia em cumprir mais uma lei. Em parte, o colega está certo, pois o Brasil tem sido o país das leis que repetem os regulamentos, que já chamam as normas que deveriam ser seguidas, mas o problema é outro. O fato do país precisar criar leis, como a do Fio Terra (11337/2006), a Lei do DR e outras tantas leis que repetem o que já estava escrito em normas e regulamentos, é a total falta de ética do profissional. E quando falo de ética, falo de um profissional que se vende por míseros trocados, ou mesmo que aceita o que o cliente quer fazer, mesmo sabendo que está errado, só para continuar fazendo os serviços para este cliente. Tenho ouvido relatos como: ‘O Cliente não vai pagar para fazer o projeto…….’, ‘O cliente disse que se for para gastar para adequar a norma, ele vai deixar assim e quando alguém vier fiscalizar e disser que está errado ele faz um acordo e então faz a alteração……..’, ‘Eu só vou fazer esta parte, porque o cliente é um coitado e não tem como pagar…..’ e por aí vai!

Da mesma forma acontece o desrespeito ao profissional da área, que estuda por anos, se aprofunda na área de interesse e de formação e depois tem que dividir o mercado com um profissional de outra área, que achou um nicho para vender o pacote completo para o cliente. E o pior, muitas vezes amparado pelo próprio conselho de classe. O fato é que a população é, via de regra, leiga no assunto em que você é o especialista, e quem deve orientá-la é o profissional que conhece a melhor prática para uma determinada situação. No caso de instalações elétricas, um projeto elaborado com as melhores práticas de engenharia vai, certamente, conferir inúmeras vantagens para quem contratar, como economia de materiais, economia de energia, número de tomadas suficientes, entre outros.

Para finalizar, devo responder a pergunta que fiz no título deste artigo. O que devemos mudar? Devemos adotar uma postura de orientação aos nossos clientes, de imposição do nosso conhecimento e divulgação das boas práticas e parar de mostrar as coisas erradas como certas. Estamos vivendo um momento do país muito ruim, mas ao mesmo tempo muito importante, pois estamos conhecendo as falcatruas e mazelas que as pessoas são capazes de fazer pelo poder ou dinheiro, e o que devemos é aprender que este não pode ser o comum, mas sim algo a ser mudado. Temos oportunidades de mudar os cenários que aí estão, nas eleições em outubro, nos seus conselhos de classe, nas suas comunidades e entre seus clientes, mas para isto acontecer, você tem que mudar sua postura, se já não mudou. Comece por você a mudança que você quer no seu mundo.