3 dicas para usar as Redes Sociais com equilíbrio

A neurociência explica que grande parte das nossas ações são motivadas pela busca de uma recompensa ou afastamento de uma ameaça. Trata-se de um princípio básico de sobrevivência e autopreservação. Dentre os diversos fatores que nos levam para estes dois polos está um, que considero muito relevante: o reconhecimento.

O ser humano é um animal social. Sua natureza gregária influencia comportamentos e molda hábitos que buscam maximizar aceitação, potencializar acolhimento e saciar a ânsia por apreciação e reconhecimento. Este processo complexo é permeado por diversos outros aspectos intrínsecos, tais como autoconfiança, autocrítica, inteligência emocional, resiliência, entre outros.

Nos últimos anos, com a chegada do fenômeno das redes sociais, esta dinâmica ganhou ares ainda mais dramáticos. O imediatismo provocado por estas plataformas de relacionamento, acabou amplificando as consequências deste comportamento social que visa saciar a ânsia por reconhecimento. O que nasceu para ser uma plataforma de relacionamento transformou-se em um carrossel frenético de expressões, que visa a autopromoção numa busca angustiante por aceitação. É certo que esta visão não se aplica a todo mundo. Existem pessoas que conseguem lidar bem com as redes sociais, utilizando-as de forma equilibrada.

Na prática, este espectro de comportamentos é definido por fatores que transcendem o uso das redes sociais. Tais fatores residem na maneira como convivemos com as pessoas ao nosso redor. Este artigo pretende abordar 3 destes pontos, propondo reflexões úteis para nos ajudar a sair desta armadilha, permitindo equilibrar o uso de redes sociais. Vamos a eles:

  • Autocrítica

A autocrítica pode ser definida como o arcabouço de pensamentos e sentimentos que expressamos a nosso respeito ao longo do tempo. Estes pensamentos e sentimentos são moldados por meio das nossas experiências, das nossas preferências, hábitos e comportamentos. Veja, toda vez que um padrão de pensamento leva a um resultado prático que nos aproxima de uma recompensa, tendemos a repeti-lo. Por outro lado, todo padrão de pensamento que se mostra ineficaz na tentativa de nos afastar de uma ameaça, tende a ser repelido. Estes atalhos mentais vão se somando às palavras (de incentivo e de crítica) que ouvimos sobre quem somos e formam finalmente a nossa autocrítica. Uma autocrítica elevada se traduz em um nível de exigência alto, levando-nos a desenvolver um comportamento perfeccionista. A sua repetição pode levar a construção de hábitos mentais inadequados, provocando sentimentos que podem levar à baixa autoestima. Para lidar com isto, precisamos fazer um bom exercício de autoconhecimento. Entender com clareza nossos pontos fortes e armadilhas pode ser um excelente primeiro passo para ajustar a autocrítica. Um indivíduo com uma autocrítica equilibrada tende a desenvolver uma boa Inteligência Emocional, lidando melhor com frustações e convivendo assertivamente com as pessoas. No contexto das redes sociais, a autocrítica elevada pode levar ao seu uso inadequado, manifestado por postagens frenéticas e excessivas de acontecimentos, com o objetivo de saciar a ânsia por aceitação e reconhecimento. Uma autocrítica elevada também pode transbordar para a maneira como construímos as expectativas sobre as pessoas do nosso convívio – “elevando a barra” – e por consequência, desenvolvendo um olhar crítico perigoso para as relações. Este processo acaba fomentando o vício do monitoramento das redes sociais, principalmente no ato de observar e acompanhar os detalhes da vida das pessoas, com o objetivo de compará-las a nossa.

  • Procrastinação

Muitas vezes, o uso inadequado das redes sociais pode estar associado à procrastinação. Como uma forma de nos afastarmos do desconforto causado pela execução de uma tarefa da qual não gostamos (ou nãos nos sentimos preparados), iniciamos o passeio pelas redes. Este mecanismo ilustra um dos pontos mais críticos que impedem o nosso progresso pessoal: os autossabotadores. E o uso das redes sociais pode ser apenas um deles. Entender o mecanismo cerebral que está por traz dos autossabotadores pode ser muito útil para vencê-los. Um autossabotador é qualquer tipo de gatilho que dispara a perda do foco da execução de uma tarefa. Ele possui diversas formas de manifestação, todas elas embrulhadas em uma embalagem peculiar: o autoengano. Nós conhecemos nossos autossabotadores. Temos uma boa noção de onde o “calo aperta”, quando presenciamos a nossa procrastinação. E o uso das redes sociais vem se tornando uma grande preocupação nas empresas, justamente por serem vistos como fontes de procrastinação. Uma maneira muito útil para lidar com este obstáculo é a técnica Pomodoro. Ela ganhou este nome por se basear em um cronômetro na forma de um tomate. A técnica se baseia nos estudos do italiano Francesco Cirillo(1), e parte do princípio que a capacidade de foco e atenção pode ser treinada e aprimorada, se pudermos nos dedicar a uma determinada tarefa por períodos de 25 minutos sem interrupções, inserindo intervalos obrigatórios de 5 a 10 minutos entre eles. A ideia não é usar a técnica como forma de ampliar a performance da execução da tarefa, mas sim como um exercício de disciplina. Você já identificou que o uso das redes sociais pode ser um dos seus autossabotadores? Que tal experimentar a técnica Pomodoro?

  • Recolhimento

Redes sociais não possuem este nome à toa. Em tese, elas foram desenhadas para que as pessoas possam utilizá-las como uma forma alternativa de socialização. Veja, estamos falando de uma alternativa, e não de uma plataforma substitutiva. Na prática, temos que ter em mente que nada irá substituir a relação pessoal real, manifestada por contato físico. Em um mundo cada vez mais envolto por uma tecnologia e sistemas de comunicação instantânea, precisamos estar atentos quanto a escolha da forma mais adequada para conduzir interações. Na onda deste descompasso, percebemos hoje o uso inadequado de ferramentas de comunicação como o email. Quantos assuntos poderiam (e deveriam) ser tratados pessoalmente ou por telefone, mas que acabam sendo abordados por email? É provável que este uso inadequado seja um subterfúgio para justificar a fuga do contato real; um recolhimento deliberado que visa apenas e tão somente minimizar o contato físico em prol de um suposto ganho de performance. O seu smartphone, por meio daquele aplicativo, está lhe avisando daquele aniversário? Que tal ligar para o aniversariante, ao invés de simplesmente escrever um “Feliz Aniversário” no sistema de mensageria instantânea? O gesto de ligar e a mensagem embutida no tom da sua voz podem dizer muito mais do que você imagina!

Espero que a abordagem destes 3 pontos tenha trazido clareza para lhe ajudar a lidar com as redes sociais e a despertá-lo para o seu autodesenvolvimento. Gostou do artigo? Venha participar o projeto “Expresse sua Gratidão”. Clique aqui para saber mais!

(1) Cirillo, Francesco “The Pomodoro Technique” ISBN 1-4452-1994-8