Por Meire Biudes

 

Casada há vários anos com um engenheiro eletricista, amiga de tantos outros e trabalhando em uma associação para reduzir os acidentes com a eletricidade, adquiri um razoável conhecimento sobre o que mais aflige estes nobres profissionais.

Sem sombra de dúvidas, 10 entre 10 engenheiros eletricistas reclamam que ganham pouco, seus clientes não querem pagar o que vale o serviço e que a profissão é desvalorizada. Bem, eu sinto muito, mas outros profissionais reclamam da mesma coisa e não conseguiríamos montar um ranking das profissões mais desvalorizadas. E também isto não interessaria a ninguém. Mas o meu objetivo aqui é outro e acredito que muitos não vão gostar do que vou dizer, mas reflitam um pouco antes de partirem para as críticas.

Engenheiros eletricistas se comunicam mal! Nunca foi mais válido o ditado que diz que quem ‘grita mais, chora menos’. Na sociedade moderna nossas aspirações devem ser vocalizadas com a máxima eficiência possível. Caso não o façamos, outros ocuparão o nosso espaço e levarão a nossa fatia do bolo.

Para que seu cliente o procure, entenda o seu valor e recompense o seu conhecimento, é necessário um trabalho prévio para que a importância de uma boa instalação elétrica já seja do conhecimento dele. É justamente este o trabalho feito por muitas associações profissionais, que realmente são mais valorizadas porque aprenderam há mais tempo que quem não é visto não é valorizado.  Se até juízes ocupam os meios de comunicação para explicar o que fazem e lutar pela sua categoria, estariam os profissionais da eletricidade desobrigados desta postura?

Compreendido o problema, vamos tentar uma solução. A Abracopel – Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade, www.abracopel.org.br tem atuado para informar as pessoas, em geral, que a eletricidade é perigosa e uma instalação elétrica deve ser feita por profissionais qualificados. Ela promove encontros técnicos (imagem 1) para qualificar os profissionais do setor, ao mesmo tempo que realiza eventos que informam ao público leigo, como eu, sobre como devemos agir para que a sua instalação elétrica seja segura.

Imagem 1. Encontro técnico Abracopel em Curitiba

As ações da Abracopel são abrangentes, porque envolvem concessionárias de energia, fabricantes de materiais elétricos, engenheiros eletricistas, técnicos em eletricidade, eletricistas, jornalistas (imagem 2), professores, pais e estudantes, ou seja, toda a sociedade. Comunicação também é ocupação de espaços. Não adianta a nossa mensagem circular apenas entre nós.

Imagem 2. Prêmio Abracopel de Jornalismo

A Abracopel realiza desde congressos técnicos com os temas mais complexos da área elétrica, até prêmios para estudantes do ensino básico (imagem 3), para valorizar as instalações elétricas dentro do ambiente familiar.

Imagem 3. Entrega do prêmio Abracopel de Redação e Desenhos na escola Vereador José Sotero em Natal, RN.

Como o meio é a mensagem, eu aproveitei este artigo sobre comunicação para me comunicar com vocês e levar a nossa mensagem.  A mensagem de que para mudar a realidade profissional de quem trabalha com a eletricidade é necessário atingir todos os interessados. As pessoas leigas que precisam saber dos riscos que correm quando uma instalação não é bem-feita, mas também os profissionais, que muitas vezes não sabem que existe uma associação que trabalha para que seu trabalho seja valorizado, mas que para fazer isso precisa do seu apoio.
Certamente todos já ouviram sobre a importância das instalações elétricas. Mas a comunicação é dinâmica e as mensagens lutam pelos nossos corações e mentes. Nós precisamos renovar nossa mensagem, assim como renovamos o ar que respiramos, neste caso valendo muito o que dizia o psicanalista Carl Gustav Jung: O que é bom é custoso. Requer tempo, requer paciência, e não há um fim para isso.

Só uma coisa explica o abismo que separa consumidores utilizando instalações elétricas malfeitas e profissionais qualificados que não são valorizados. Falta de comunicação.  O nosso objetivo é levar esta mensagem ao maior número de pessoas. E para isso nada mais justo do que contar com o apoio de quem trabalha com a eletricidade.

  • Abelardo Chacrinha Barbosa