Parte 1

Em minha opinião, o aterramento é um dos temas mais polêmicos dentro da eletricidade, pois quando se fala de aterramento pensamos em várias formas de executá-lo e, consequentemente, várias dúvidas vêm a nossa mente. O pior de tudo é que quanto mais se aprofunda no estudo mais dúvidas vão surgindo. Por um lado entendo que quanto mais dúvidas temos sobre um tema, mais este tema nos instiga a entendê-lo por completo, por outro é muito ruim ainda não existir um consenso sobre o que é certo e o que é errado em uma determinada área. Pior ainda quando o tema é o aterramento, que participa dos sistemas de segurança de uma instalação elétrica, e outras tantas demandas.

Uma das dúvidas que pouco ouço nas conversas e palestras, mas tenho certeza que muitos não sabem responder é: Por que devemos medir a resistência de aterramento? Você sabe a resposta?

A pergunta correta que se deve fazer é: O que devo medir em um aterramento e como devo medir?

A partir destas perguntas, outras vão surgindo, como por exemplo: Devo usar um terrômetro, 3 fios, 4 fios, alicate, qual é o melhor? Qual o valor ideal de resistência que devo usar como parâmetro para definir se o aterramento está bom ou não?

Bom, vamos tentar responder algumas das perguntas acima.

A primeira delas é: O que devo medir e como devo medir a resistência de aterramento? Primeiramente, você não vai medir a resistência de aterramento, você vai medir um valor que representa a relação da corrente injetada num ponto distante o suficiente para que não exista influência deste eletrodo, e a média da tensão medida ao longo do percurso que a corrente faz para retonar ao eletrodo, isto considerando um método (3 fios), ou então você vai estratificar o solo, elaborando matematicamente um modelo que represente a resistividade do solo modelada em camadas e, assim terá um dos parâmetros para calcular a resistência ôhmica do eletrodo.

Você pode também medir a resistência (impedância) de um circuito fechado pela terra usando o terrômetro alicate. Cada medição tem uma função específica dentro do aterramento, portanto a escolha de um ou outro método vai depender do que você está buscando. Portanto, não há melhor ou pior, mas sim adequado ou não.

Quando a pergunta é Qual o valor de resistência adequado, a resposta é: depende da sua aplicação, fundamentalmente, quando se trata de eletrodo de aterramento, este valor servirá para cálculo das tensões superficiais (toque e passo). As normas definem como a menor possível em quase todos os casos, pois quanto menor for a resistência, menor serão as tensões de toque e passo, exceto para Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA) regida pela ABNT NBR 5419/2005, que recomenda que a resistência seja menor que 10 Ohms, porém com a mesma finalidade! Demais valores como 5 Ohms para circuitos de telecomunicações, ou, como já vimos, 1,5 para circuitos de TI são baseados normalmente em manuais de fabricantes que normalmente buscam um valor pequeno para referenciar seus circuitos eletrônicos. Uma informação importante é que o valor de 10 Ohms descritos na ABNT NBR 5419 deixarão de existir na próxima edição (que estava em revisão quando escrevi este artigo).

Os valores de resistência ou resistividade do solo são muito importantes, porém para efeito de segurança de pessoas, uma boa equipotencialização é muito mais importante do que uma baixa resistividade.

No próximo artigo falaremos de cada um dos sistemas de medição de aterramento, então até lá.

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