A disponibilidade de recursos naturais, biomassa, irradiação solar e ventos possibilitam a manutenção dos níveis de geração de energia no país. As fontes alternativas representam hoje mais de 40% da matriz energética, percentual que supera a média de outros países.

Mas, apesar dos avanços, o Brasil ainda possui um longo caminho pela frente, já que a oferta interna e a demanda de energia ainda estão no limite, segundo especialistas.

“É preciso ter eficiência energética e rever as formas de uso principalmente de eletrodomésticos”, afirma o ex-superintendente de Energias Renováveis da Itaipu Binacional, ex-presidente do Centro Internacional de Energias Renováveis – Biogás (CIBiogás) e representante do Brasil na International Energy Agency – Task Force Biogas, Cicero Bley Júnior. Ele ressalta que é necessário aumentar a oferta para possibilitar alternativas para os hábitos dos consumidores.

Uma solução plausível, que tem sido uma das alternativas no setor energético, segundo Bley, é o biogás – uma das formas de aproveitamento da biomassa, que ocorre naturalmente por meio da ação de bactérias em materiais orgânicos. Essa fonte renovável está diretamente relacionada ao maior negócio brasileiro, a produção de alimentos (que consome 38% de toda energia brasileira). O biogás é utilizado, por exemplo, em propriedades rurais, reaproveitando dejetos para gerar energia e biofertilizantes.

Engenharia e sustentabilidade

Além da aposta nas energias renováveis, outros projetos têm buscado a preservação de recursos e o desenvolvimento sustentável, como os carros elétricos e híbridos ou a eficiência ambiental na construção de edifícios.

Segundo o presidente da Associação Paranaense dos Engenheiros Ambientais, Helder Rafael Nocko, essas opções têm se tornado cada vez mais competitivas, principalmente pelo conhecimento técnico dos profissionais.

“Os sistemas com melhor eficiência hoje já se mostram como mais viáveis economicamente, principalmente em longo prazo. Um empreendimento só pode ser feito se os impactos positivos forem maiores que os negativos”, explica.

Hoje há o entendimento que, para um projeto ser viável, ele deve considerar também questões ambientais e sociais, ainda que esse conceito esteja em evolução no Brasil. Por isso, é preciso que o plano siga algumas práticas essenciais, como o cumprimento da legislação, seguindo as normas técnicas, com eficiência e consciência ambiental.

Consumo consciente

Neste sentido sustentável, o chuveiro elétrico, muito utilizado pela população, é o grande vilão do consumo de eletricidade.“Só existe no Brasil e é muito prejudicial. Deveria ser proibido, assim como a lâmpada incandescente. A noção de que o uso de energia não pode ser inconsciente nem automático é muito mais importante que o horário de verão, que sozinho não tem utilidade. É preciso trocar hábitos”, lembra Bley.

Atitudes simples como apagar a luz, não usar o ar-condicionado ao primeiro sinal de necessidade e priorizar o uso de equipamentos mais eficientes, que consomem menos energia, devem ser prioridade. “É preciso prestar atenção aos selos de consumo e saber que muitas vezes produtos mais baratos podem consumir mais energia e se tornar mais caros a longo prazo”, explica Nocko.