Há mais de 7 anos trabalho com a informação sobre a qualidade da energia elétrica, comecei acompanhando um colega (o Eng. Hilton Moreno), em suas palestras e depois acabei assumindo a divulgação deste assunto que assola os colegas profissionais, principalmente na indústria.

Desde o começo deste meu trabalho venho observando os comentários nas palestras e também alguns trabalhos que desenvolvi como consultor, que mostra a falta de visão e compreensão do assunto qualidade da energia pelos profissionais, sobretudo aqueles ligados à manutenção e conservação das instalações elétricas industriais.

O problema está na falta de convencimento próprio do profissional, que não percebe que tem nas mãos as ferramentas mais poderosas para que ele torne a solução dos problemas de qualidade de energia viável.

Eu explico: atualmente muito se investe em conservação de energia com programas internos de economia de energia, envolvendo todos os funcionários em semanas de eficiência energética, e uma série de atitudes que tem como base duas premissas: a primeira é que estamos contribuindo para a sustentabilidade do planeta, economizando os insumos; a segunda, e mais importante na visão do empresário, é que ele está investindo em algo que lhe dará retorno em um certo período, ou seja, ele está melhorando suas instalações para economizar no consumo de insumos, como eletricidade, gás, óleo etc. Esta base é resultado de cálculos que são realizados por profissionais que deduzem que se você substituir uma lâmpada incandescente de 60W por uma fluorescente compacta de 20W, terá a mesma ou melhor eficiência de iluminação, porém irá economizar cerca de 60% de energia elétrica consumida. O problema é que enquanto uma lâmpada incandescente custa 1 real, uma lâmpada compacta custa 10 reais, então qual é o segredo? Se você gasta 9 reais a mais hoje, mas a sua lâmpada dura 3 vezes mais e você economiza 60% da energia consumida, você terá este retorno em 1,5 anos (os valores tem finalidade unicamente ilustrativa). Desta forma se convence um empresário que ele deverá investir tal valor para recuperar este mesmo valor no futuro. Esta é uma conta básica de mais e menos – soma e subtração.

Voltamos aos profissionais da indústria e a qualidade da energia elétrica. Se um certo distúrbio, por exemplo, surto de tensão, causado por uma descarga atmosférica que causa a queima de placas eletrônicas de controle de uma máquina, fazendo com que ela pare a produção, é de certa forma constante, este custo deve ser contemplado na busca por solução.

Por exemplo: se uma solução para este distúrbio seja aplicar um DPS (protetor de surto) que tem um custo X, basta avaliar o quanto se gasta / perde com a parada da produção devido ao distúrbio; quantas vezes este distúrbio ocorre em média no ano e dividir pelo custo da solução, você terá o valor do investimento e tempo de retorno. Daí você vai dizer: “Mas as descargas atmosféricas são imprevisíveis!”. Eu concordo, mas tenho a certeza que você tem no seu histórico nos 2 últimos anos, quantas vezes aconteceu a parada de máquina. Isso já lhe dá uma dica.

Então vamos para outro exemplo: um afundamento de tensão que proporciona uma falha em um equipamento de controle e este afundamento acontece 1 vez por semana. Todas as vezes que aconteceu este afundamento, o seu equipamento causou uma falha no sistema e você perdeu 5 peças da sua produção. Façamos o cálculo: quanto custa as 5 peças (valor de custo) multiplicadas pela freqüência de 52 vezes (todas as semanas do ano), e compare com o custo da solução, projete isto por ano e transforme em taxa de retorno do investimento.

Pronto, você tem o argumento. Isso sem contar tempo de vida útil de equipamento, que é reduzido pelos problemas de qualidade da energia, o tempo de parada de produção, refugo etc.

Portanto, recomendo que trate qualidade da energia como se trata a eficiência energética, pois os argumentos estão à mão, o que temos que fazer é transformá-los em retorno.

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