A RELAÇÃO ENTRE A POTÊNCIA DOS EQUIPAMENTOS E O DPS PARA PROTEGÊ-LOS

Os Dispositivos de Proteção contra Surtos (DPS) tipo I e II são instalados em paralelo com as cargas que eles devem proteger. Já os DPS tipo III normalmente estão em série com os equipamentos protegidos, mas em alguns casos podem estar em paralelo com estes mesmos equipamentos.

Por este motivo, a corrente consumida pelas cargas protegidas não interfere diretamente com o dimensionamento dos DPS tipo I ou II. O mesmo não acontece com os DPS tipo III, quando estes estão em série com os equipamentos protegidos, a situação ideal.

Os DPS tipo III, também chamados de proteção fina, podem proteger um ou mais equipamentos, desde que todos estejam muito próximos, já que eles realizam uma equipotencialização pontual. Neste caso, devemos verificar a corrente consumida pelo equipamento ou a soma das correntes consumidas por cada um dos vários equipamentos que protegeremos.

Caso queiramos proteger vários equipamentos que estejam muito próximos entre si com um único DPS tipo III, e ele não tenha a capacidade de conduzir a corrente consumida pelos aparelhos, o DPS deverá ser instalado em paralelo com eles, para que a soma das correntes de cada um não passe também pelo DPS.

A situação é mais simples no caso dos DPS tipo I e II que, normalmente, estão instalados em quadros de distribuição. O mesmo conjunto de protetores protegerá uma instalação alimentada por uma rede de baixa tensão, por um transformador de 75KVA, 1MVA, etc.

Obviamente, quanto maior a demanda da instalação, mais complexa ela será e outras considerações em relação ao posicionamento dos DPS deverão ser feitas. Mas as características principais do DPS (Corrente de surto, Tipo e Tensão máxima de operação) não dependem em nada da potência consumida pela instalação, já que a corrente que a alimenta não passa pelo DPS.

Por este. e por alguns outros motivos. que abordaremos no futuro um DPS mais do que calculado é posicionado. O fator que determina a eficácia do sistema de proteção contra surtos é a aplicação correta do conceito de Zonas de Proteção contra raios (ZPR) e a consequente especificação dos DPS através dos seus tipos. A posição de um DPS na instalação é fundamental para o seu objetivo e através do seu Tipo é informado o local dentro da instalação em que ele deve ser instalado.

Quando estiver em paralelo, o DPS em estado normal é uma chave aberta que não conduz nenhuma corrente. Quando em série, o DPS conduz em estado normal a corrente que alimenta os equipamentos e ao atuar passa a conduzir a corrente de surto para o sistema de aterramento.

Por isso, ao especificarmos um DPS tipo I ou II não precisaremos nos preocupar com a corrente consumida pela instalação, a potência do transformador ou o número de equipamentos que serão protegidos.  Já o disjuntor geral do quadro onde o DPS deverá ser instalado deve ser levado em consideração, mas por um motivo inverso ao que normalmente pensamos, e por isso o dimensionamento dos disjuntores ou fusíveis antes dos DPS serão abordados no próximo artigo.

Apenas ao utilizarmos os DPS tipo III para a proteção fina deveremos procurar nos catálogos dos fabricantes qual a corrente máxima que o DPS poderá conduzir em regime permanente.

Aplicação do Conceito de Tipo de um DPS

 Tipo do DPS Forma de Onda Aplicação Local de Instalação Função
I 10/350µs ZPR(0B→1) Quadros de Entrada Equipotencialização Principal/ Proteção contra a Corrente do Raio
II 8/20µs ZPR(1→2) Quadros de Distribuição Equipotencialização Local / Proteção contra Sobretensões
III 8/20µs ZPR(2 →3) Tomada do Equipamento Equipotencialização do Equipamento / Proteção Fina
DPS Tipo II instalado em um quadro
2
DPS Tipo III para instalação em série
3
DPS Tipo III para instalação em paralelo

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