Por Erica Ortiz

Olá pessoal, como vai? Fiquei muito feliz com o retorno que recebi no último texto que escrevi.  Muito obrigada pelos comentários positivos. Agradeço a todos. Também tenho recebido muitas dúvidas e foi por isso que estamos aqui de novo, escrevendo um pouco mais sobre Proteção contra Descargas Atmosféricas (PDA). Se você não leu o texto anterior CLIQUE AQUI.

O fato é que tenho percebido que muitos profissionais que atuam direta ou indiretamente relacionados à área de PDA, ainda possuem muitas dúvidas e equívocos. E isso não é por menos, a substituição da norma ABNT NBR5419/2005 para a ABNT NBR5419/2015 teve modificações expressivas em seu conteúdo. A começar pelo número de páginas. A norma de 2005 possuía 42 páginas e agora agrupadas em suas quatro partes, somam mais de 300 páginas. Além disso, muitos itens que antes não eram observados em PDA, agora devem ser considerados. Dessa maneira, seguem algumas perguntas e respostas das principais dúvidas que nos foram enviadas.

Pergunta 1.Estou fazendo um projeto de PDA para uma empresa que possui várias edificações no mesmo terreno. São elas: portaria, galpão para produção de peças, galpão para estoque e caixa d’água. Se optar por colocar um Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA) de determinada classe para um galpão, tenho que colocar em todas as edificações essa mesma classe de SPDA?

Resposta: Não. Primeiramente você deve realizar, antes de mais nada, a análise de risco de todas as edificações (estruturas). Cada edificação possui as suas características. Por exemplo, número de pessoas na estrutura ou nas zonas até 3m para fora, precauções contra incêndios, área de exposição equivalente etc. Caso o valor representativo de risco seja superior ao risco tolerável, você deve estudar soluções que reduzam esse risco a um valor aceitável. É bem comum customizarmos soluções para reduzir os riscos. Por exemplo, podemos colocar SPDA em um galpão, avisos de alerta na caixa d’água e dispositivo de proteção contra surto (DPS) na portaria. E com essas medidas o valor representativo de risco, que antes apresentava acima do limite tolerável, já passa a se tornar aceitável. Lembramos, que não há problema algum especificar proteções a mais, ou seja, colocar em todas as edificações o SPDA de uma determinada classe, mas normalmente isso tem um custo superior ao de soluções de customização.

A ABNT NBR5419-2/2015 nas páginas 22 e 24 retrata bem esse cenário nas passagens “Pode ser útil avaliar algumas variações da combinação das medidas de proteção para achar a solução ótima em relação à eficiência do custo”  e “a maioria das medidas de proteção adequadas deve ser feita (…) de acordo com aspectos técnicos e econômicos das diferentes medidas de proteção.” (pág. 22 e 24).

 

Pergunta 2. Tenho que colocar uma placa de advertência (avisos de alerta) em todas as decidas do SPDA?

Resposta: Não. Não há nenhum tópico da norma ABNT NBR5419/2015 que apresente obrigatoriedade de colocar esses avisos de alerta em cada descida de SPDA. Porém, essa é uma medida de proteção que abaixa o valor representativo do risco.  Então colocar esses avisos pode se tornar um recurso, mas não é uma obrigação.

Pergunta 3. Sou técnico eletrotécnico experiente, com mais de 20 anos de profissão. Estou fazendo laudo de PDA. Preciso emitir Anotação de Responsabilidade Técnica (ART)?

Resposta: Segundo o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA), para todo contrato escrito ou verbal de execução de obras ou prestação de serviços relativos às profissões abrangidas pelo Sistema CONFEA/CREA, devem possuir registro de ART. Ou seja, laudo de PDA deve recolher ART. O segundo ponto dessa pergunta, refere-se ao fato de um técnico eletrotécnico poder ou não realizar laudo de PDA. Segundo consulta ao CREA-SP, os técnicos de nível médio, ainda que muito experientes, não têm competência legal para emitir laudos técnicos (Decreto Federal n° 90.922/85). Eles ressaltam que segundo a Decisão Normativa nº 70 do CONFEA, os habilitados a exercer as atividades de laudo, perícia e parecer de PDA, são os seguintes profissionais: engenheiro eletricista, engenheiro de computação, engenheiro mecânico–eletricista, engenheiro de produção modalidade eletricista, engenheiros de operação modalidade eletricista e tecnólogo na área de engenharia elétrica. Há ainda o impasse com engenheiros civis. A minha recomendação é que verifique junto ao CREA, a sua atribuição para realizar laudo técnico de PDA.

Pergunta 4. Estou fazendo um projeto de SPDA e optei por gaiola de Faraday no telhado, posso colocar somente um eletrodo distinto nesse caso?

Resposta: Não. O único arranjo de aterramento permitido pela norma ABNT NBR5419/2015 consiste em condutor em anel, externo à estrutura a ser protegida, em contato com o solo por pelo menos 80% do seu comprimento total, ou elemento condutor interligando as armaduras descontínuas da fundação. Ainda segundo a norma, estes eletrodos de aterramento podem também ser do tipo malha de aterramento. Sendo assim, o método de captação escolhido é indiferente. Pode ser por ângulo de proteção, esfera rolante ou malhas. O SPDA ainda pode ser externo ou interno. Todos, sem exceção, devem possuir arranjo de aterramento dentro dessas características.

Bom é isso, nos vemos no próximo artigo. Abraços, Erica Ortiz