O ponto mais importante para a obtenção de uma proteção contra surtos eficiente através da utilização dos Dispositivos de Proteção contra Surtos (DPS) é o posicionamento correto destes DPS quanto ao local onde serão instalados.
Os DPS são classificados em tipo I, II e III, onde cada tipo corresponde a um local especifico. Através do seu tipo os projetistas e fabricantes padronizam três informações:

– A forma de onda característica da corrente conduzida pelo DPS;

– O nível de proteção máximo nos polos do DPS;

– O local onde o DPS deve ser instalado.

Os DPS são ensaiados nas ondas 10/350µS ou 8/20µS, a primeira simulando os efeitos de uma descarga atmosférica direta na instalação e a segunda correspondendo a uma corrente induzida produzida por uma descarga atmosférica indireta ou um chaveamento.

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Tabela 1 – Relação entre o DPS e equipotencialização

O nível de proteção está associado à suportabilidade de cada equipamento às sobretensões transitórias. A NBR 5410-2005 determina em sua tabela o quanto cada equipamento deve suportar de elevação de tensão em seus terminais sem que ele seja danificado. Por convenção esta tensão suportada é relacionada ao local da instalação em que o equipamento deve ser instalado. Por isso um DPS deve ter nível de proteção igual ou menor do que o valor de tensão máxima de impulso admissível no local de sua instalação.

Combinando a curva característica com o nível de proteção obtemos o local onde cada DPS será instalado, o que torna extremamente prático a especificação do DPS através da determinação do seu tipo. Ao contrario de disjuntores e fusíveis, não existe a possibilidade de um DPS de um determinado tipo cumprir a função de outro DPS de tipo diferente, nem é possível instalar um DPS fora do local equivalente ao seu tipo.
Poderíamos até mesmo falar que mais do que especificados ou ainda calculados os DPS são posicionados e o local do seu posicionamento é onde se encontram as barras de equipotencialização, já que a função do DPS é equipotencializar os condutores normalmente energizados na transição entre dois ambientes eletromagneticamente diferentes (Zonas de proteção contra raios, ZPR).

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Figura 1 – DPS Tetrapolar para Equipotencialização das Fases e do Neutro

Os DPS tipo I são instalados junto à barra de equipotencialização principal (BEP) e os DPS tipo II e III nas barras de equipotencialização local (BEL). Se um profissional perguntar onde devem ser instalados os DPS basta verificar onde estão as respectivas barras de equipotencialização.
Ao contrario da corrente de curto-circuito, as correntes e tensões geradas por descargas atmosféricas e chaveamentos podem surgir em qualquer trecho da instalação sem que a sua origem possa ser delimitada. Por isso o posicionamento dos DPS é fundamental para que ele limite o aumento da tensão e desvie as correntes de surto nos pontos corretos.
É possível que instalar os DPS no local certo possa apresentar alguma dificuldade prática, mas caso este posicionamento não seja feito de forma coerente eles não serão eficazes e não conseguiremos proteger as nossas instalações contra os surtos de tensão.

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Figura 2 – A barra de equipotencialização é o “coração” da proteção contra surtos.

 

1 – ABNT NBR 5410-2004, Versão corrigida: 2008. Instalações elétricas de baixa tensão. www.abntcatalogo.com.br;

2 – ABNT NBR 5419-2015: partes 1,2,3 e 4. Proteção contra descargas atmosféricas. www.abntcatalogo.com.br

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