O USO DE TRANSFORMADORES A ÓLEO EM SUBESTAÇÕES

Com o objetivo de prover proteção passiva de incêndio, ou seja, evitar que um incêndio em uma subestação se propague para a edificação, a atual edição da ABNT NBR 14039 apresenta restrições ao uso de transformadores com óleo isolante no interior de edificações — aliás, isto não é novidade, visto que esta restrição está presente na normalização de média tensão desde a antiga NB-79.

Um aspecto importante é que a atual edição da norma, assim como as suas antecessoras, não apresenta nenhuma diferenciação quanto ao desempenho do óleo em relação ao fogo. Isto acontece porque, na época da revisão da norma de instalações de média tensão, não existia normalização brasileira dos óleos isolantes de alto ponto de fulgor. Recentemente é que este tipo de óleo isolante para transformadores começou a aparecer na normalização. Aliás, em breve, deverá ser publicada uma norma do óleo vegetal com alto ponto fulgor (também chamado de fluido resistente ao fogo ou fluido dielétrico, utilizado em transformadores ou outros equipamentos, com ponto de combustão mínimo de 300º). E, com certeza, a próxima revisão da ABNT NBR 14039 vai tratar deste assunto com mais profundidade, assim como já está sendo feito na norma de padronização das subestações de entrada de energia em média tensão.

A ABNT NBR 14039 restringe o uso de transformadores a óleo quando a subestação de transformação é parte integrante da edificação. A grande dúvida, que ainda persiste, é: o que é parte integrante da edificação? Esta questão pode ainda ser ampliada em virtude do conceito de parte integrante da edificação ser diferente para instalações de uso industrial, residencial e comercial.

Inicialmente, deve-se esclarecer que, quando a subestação estiver situada fora do perímetro da edificação, ela não faz parte desta, independente da aplicação. Já quando a subestação está contida no perímetro da edificação, é que deve-se considerar a diferenciação entre edificações de uso industrial das de uso residencial e comercial.

Todo o conceito de parte integrante está apoiado no fato de que, em caso de incêndio na subestação, o fogo não deve se propagar para a edificação. Logo, o termo integrante não está associado à posição física da subestação em relação à edificação, mas sim com a isolação (ou não) da edificação em relação ao fogo existente na subestação, em caso de incêndio.

Baseado neste conceito, quando a subestação e a edificação forem separadas por paredes de alvenaria e portas corta-fogo, supõe-se que, em caso de incêndio, o fogo ficará contido dentro da subestação. Logo, elas estão separadas, e com isto a subestação não é parte integrante da edificação. Este é o conceito que sempre esteve presente na normalização brasileira e ainda hoje é aplicado em edificações de uso industrial.

O item 9.4.3, da seção 9.4 da ABNT NBR 14039, prescreve que, quando a subestação de transformação fizer parte  da edificação industrial, somente será permitido o emprego de transformadores a seco. E ainda apresenta uma nota esclarecendo que considera-se como parte integrante o recinto não-isolado ou desprovido de paredes de alvenaria e portas corta-fogo. Portanto, a norma permaneceu fiel ao conceito que gerou a prescrição.

A novidade apresentada pela edição de 2003 da NBR 14039 está relacionada às edificações de uso residencial e comercial. Neste caso, o item 9.4.4 prescreve que, quando a subestação de transformação fizer parte integrante da edificação residencial e/ou comercial, somente será permitido o emprego de transformadores a seco, mesmo que haja paredes de alvenaria e portas corta-fogo.

Ou seja, neste item, a norma ficou mais rigorosa para as instalações de uso residencial e comercial do que para as de uso industrial. Por que isto ocorreu? A Comissão de Estudo resolveu aumentar o grau de segurança para as instalações de uso comercial e residencial, devido, principalmente, ao tipo de pessoas que ocupam estes tipos de edificação. E para isto, restringiu o conceito de parte integrante. Portanto, nestas edificações, a subestação, para ser considerada como parte não-integrante, deve ficar fora do perímetro da edificação, não sendo aceitas porta corta-fogo e paredes de alvenaria como elementos isoladores. Ou seja, se ocorrer um incêndio na subestação, ele deve ficar fora da edificação e não confinado no seu interior.

Como foi dito no início deste artigo a razão da restrição do uso de transformador a óleo é a proteção contra incêndio em subestações. No próximo artigo será tratado o tema proteção contra incêndio em subestações, abordando de forma mais completa o tema, analisando as normas elaboradas no âmbito do CB 24 da ABNT, que é o Comitê Brasileiro de Segurança Contra Incêndio, que tratam deste assunto.

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