Distribuidora Light, do Rio de Janeiro, tem prejuízo anual de R$ 850 milhões com “gatos”

As ligações clandestinas de energia, conhecidas como “gatos”, feitas nas comunidades carentes do Rio de Janeiro, provocam prejuízo anual de R$ 850 milhões à distribuidora Light, informou a empresa.

Na avaliação do presidente do Conselho de Consumidores da Light e do Sindicato do Comércio Varejista de Material Elétrico, Eletrônicos e Eletrodomésticos do Rio de Janeiro (Simerj), Antônio Florêncio, a população do Rio vive o resultado da desordem da ocupação urbana.

O furto de energia causa perda de arrecadação nos três níveis (federal, estadual e municipal), ao mesmo tempo em que faz a população ligada de forma regular ao sistema de distribuição pagar por quem rouba energia. “Pagaríamos 17% a menos na nossa conta de luz se todos pagassem”, afirmou Florêncio. Em algumas comunidades, de forma experimental, foram desenvolvidos projetos de regularização e eficiência energética, além de adequação paulatina à tarifa, com resultados positivos.

Um exemplo é a favela Santa Marta, no Morro Dona Marta, em Botafogo, zona sul do Rio, onde todas as ligações foram regularizadas, com substituição dos equipamentos das residências por outros mais eficientes em termos de consumo de energia, para tornar a conta mais acessível a quem paga.

Além disso, criou-se uma trajetória de cobrança dessa conta de modo que ela caísse aos poucos. “Por exemplo, a conta dava R$ 100, a distribuidora cobrava R$ 50 e os outros R$ 50, ela absorvia”, disse Florêncio. Mesmo assim, ressaltou Florêncio, houve vantagem para a distribuidora que, no passado, não recebia nada. A forma de consumo passou a ser mais racional, e “a adimplência naquela comunidade chega hoje a 98%”. (da Agência Brasil).