O diretor do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), Luiz Pinguelli Rosa, disse hoje (28) que o Brasil conseguirá cumprir a meta voluntária de redução de gás carbônico (CO²), divulgada às vésperas da Conferência sobre Mudanças Climáticas de Copenhague (COP 15). A Coppe já formou mais de 12 mil mestres e doutores em 12 programas de pós-graduação (mestrado e doutorado). Ela têm 325 professores-doutores em regime de dedicação exclusiva, 2.800 alunos e 350 funcionários.

Pinguelli fez a afirmação na abertura do 3º Congresso Brasileiro de CO², promovido pelo Instituto Brasileiro do Petróleo, Gás e Biodiversidade (IBP), no Rio de Janeiro.

Segundo o professor da Coppe, existe no país uma consciência em relação aos problemas climáticos decorrentes da emissão excessiva de gases que produzem o efeito estufa, o que criou no país uma visão mais concreta sobre a importância da adoção de políticas para a mudança climática.

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Desmatamento deixa de ser a principal causa do aumento de CO²; papel atribuído agora à produção de energia e à agricultura.

“O Brasil vai cumprir a meta prometida voluntariamente para 2020 de redução da emissão de cerca de 1 bilhão de toneladas de CO² na atmosfera, o equivalente a 36% no nível atual de emissão, principalmente porque a redução do desmatamento na Floresta Amazônica foi muito grande”, disse Pinguelli.

Para o professor, o país está em uma posição confortável até agora porque tem a vantagem da utilização em larga escala de energias renováveis, como a hidrelétrica e os biocombustíveis, o que o coloca em uma posição de vanguarda.

“Mas é claro que a questão do desmatamento será fundamental para a obtenção da meta. A redução das emissões dependia principalmente da diminuição do desmatamento, das queimadas, o que foi feito. Houve uma política de redução do desmatamento muito bem sucedida até agora”, disse ele.

Pinguelli ressaltou que, no momento, o papel principal para a diminuição da emissão de gás carbônico deixou de ser do desmatamento e passou a ser da produção de energia e da agricultura.

“Esses são hoje os dois principais fatores de emissão de gases atualmente. O setor de biocombustíveis, embora o Brasil se destaque no uso da cana-de-açúcar, atravessa uma crise momentânea onde o etanol enfrenta dificuldades em razão de um política equivocada da prática do baixo preço da gasolina”, explicou o diretor da Coppe.

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País tem 47,3% das fontes de energia renováveis, como o etanol, produzido a partir da cana-de-açúcar

Pinguelli lembrou que a matriz energética brasileira tem um forte componente de energia renovável. “Atualmente 47,3% das nossas fontes de energia são renováveis, um percentual alto, se comparado ao de outros o países, enquanto 52,7% provêm da energia fóssil. E isso se deve aos biocombustíveis: ao etanol, ao biodiesel, ao diesel mineral.”

Apesar das considerações de certa forma otimistas, Pinguelli alerta para o fato de que o enfrentamento da mudança climática no Brasil deve ser feito no país, junto com o combate à pobreza, “cabendo a expressão justiça climática, que seria o ataque simultâneo a todos os problemas da equação: a pobreza, a desigualdade e a emissão dos gases de efeito estufa”.

Fonte: EBC