Na Noruega, um terço dos carros são movidos a eletricidade. O Brasil ainda está distante dessa realidade. Mas, ao reduzir o imposto de importação, o governo dá um passo importante para tornar a frota brasileira menos poluente.

Combustível alternativo: O BMW i3 é o único veículo totalmente elétrico à venda no Brasil. Hoje, ele é vendido por R$ 199 mil

Mais de um terço dos carros que circulam na Noruega são movidos a eletricidade. O país é o maior incentivador desse tipo de propulsão no mundo. Noruegueses que compram um carro elétrico são isentos de todos os impostos relacionados ao uso e à aquisição do veículo, não pagam para estacionar em vias públicas e têm passagem livre nos pedágios. Eles também evitam o trânsito circulando pelas faixas exclusivas de ônibus. Na semana passada, o Brasil deu um passo importante para se igualar à Noruega, ao menos em matéria de frota automotiva. O governo brasileiro baixou as alíquotas de importação de veículos movidos a eletricidade ou híbridos.

Dependendo do tipo de propulsor, o imposto pode zerar. O máximo a ser pago caiu de 35% para 7%. “Isso abre espaço para o desenvolvimento local de tecnologias”, afirmou Luiz Moan, presidente da Anfavea, entidade que representa as montadoras. A redução da alíquota de importação já produziu efeitos na indústria. Ao menos uma montadora, a coreana Kia, anunciou que vai começar a vender no Brasil um modelo elétrico, o Soul EV. Ele vai se juntar a outros cinco modelos atualmente comercializados por aqui, todos com preços superiores a R$ 100 mil. Hoje, apenas um veículo totalmente elétrico está disponível, o BMW i3.

Os outros, como o Toyota Prius, o Ford Fusion e o Mitsubishi Outlander PHEV, são híbridos – podem funcionar com energia e etanol ou gasolina. Estimativas de tributaristas apontam que a redução da tarifa pode fazer o preço dos carros baixar em até 30%. Um Ford Fusion híbrido, por exemplo, atualmente vendido a cerca de R$ 150 mil, pode passar a valer R$ 105 mil nas concessionárias. A versão mais barata do carro, como motor flex, está anunciada no site da montadora por R$ 108,4 mil. “Dependendo da faixa de preço do modelo, haverá um confronto entre carros elétricos e a combustível fóssil”, afirma Marcel Visconde, presidente da Abeifa, associação que representa as importadoras de veículos.

No mundo, esse mercado movimentou US$ 6 bihões, em 2014. Algumas cidades brasileiras procuram incentivar a compra de carros elétricos. São Paulo liberou do rodízio municipal e reduziu em 50% o IPVA dos veículos elétricos. Mas, por enquanto, a frota brasileira ainda é irrisória: cerca de 3 mil, ou 0,04% do total em circulação. Até agosto deste ano, foram vendidos 582 carros elétricos no País. O número representa um aumento de 4% em comparação ao mesmo período do ano passado, e mais de 80% ante 2013.

FONTE: ISTO É DINHEIRO