ISO 50001 – Sistema de Gestão de Energia e novos Desafios

Referência: Artigo “Lições para a ISO-50.001”, de Júlio Santos, publicado na Revista Brasil Energia, nº 416, julho 2015.

A energia move o mundo, em todos os níveis, pois o progresso é dependente da energia para produzir; seja na área industrial, desde a alimentícia até refinarias de petróleo, seja na área comercial e até nos consumidores, a demanda por energia só tende a aumentar.

No panorama econômico nacional uma série de condições, como: a retração da economia, a desaceleração de investimentos, o crescimento da inflação, desvalorização da moeda, além de condições do tempo (ambientais) estão relacionadas à necessidade de reajuste tarifário e de encargos da energia elétrica para os consumidores; um dos mais relevantes no mercado de energia com certeza são as bandeiras tarifárias.

Bandeiras tarifárias, segundo a ANEEL, é o sistema que sinaliza aos consumidores os custos reais da geração de energia elétrica.

Na prática, as cores das bandeiras indicam o quanto de taxa extra o consumidor vai pagar. Além de repassar ao consumidor o custo de geração, essa iniciativa também tem como objetivo estimular o uso consciente deste recurso.

Neste ínterim, a implantação de um Sistema de Gestão de Energia figura-se como necessário inclusive para reduzir custos.

A ISO 50001 – Sistema de Gestão de Energia é uma norma internacional que define práticas de gestão de energia em mais de 60 países; os benefícios dessa certificação são claros, com destaque para os seguintes:

  • Identificar e gerenciar os riscos no uso das fontes de energia;
  • Monitorar o uso da energia e verificar em que pontos pode ser melhorada a eficiência;
  • Melhorar o desempenho para consumir menos energia.

Para estruturar este conjunto de ações é necessário conhecer os processos produtivos, com detalhes, e investir para economizar; alguns exemplos de ações práticas são: combater desperdícios identificados no cotidiano (perdas com vazamento de vapor, perdas de energia elétrica); substituir motores antigos por outros de alto rendimento; substituir a tecnologia de iluminação (LEDs apresentam alto investimento inicial, mas vale a pena o investimento se avaliada a baixa manutenção e durabilidade/confiabilidade).

O primeiro passo para a certificação consiste realmente em elaborar estudos para entender as diretrizes da norma; a seguir, vem o diagnóstico dos processos, o qual permite identificar pontos de não conformidade e melhoria em prol da melhor gestão da energia, com revisão de procedimentos e instruções operacionais; por fim, a implantação de indicadores para acompanhamento sistemático das ações e informação a todos os funcionários viabilizam a eficácia e melhoria contínua da gestão.

Atualmente apenas 20 empresas brasileiras têm essa certificação, mas na realidade constata-se que os passos para esse processo em geral fazem parte de qualquer Plano de Gestão de Recursos básico que a maioria das empresas já têm implantado. Necessário apenas se faz estruturá-lo e organizá-lo.

Para finalizar, transcrevo os passos para implementação da Norma ISO 50001, do Artigo “Lições para a ISO-50.001”, de Júlio Santos, publicado na Revista Brasil Energia, nº 416, julho 2015, pág 55.

  • Identificação da energia pela gerência, ao nível da alta direção;
  • Definição da equipe para o projeto;
  • Definição do escopo do sistema de gestão;
  • Plano de projeto;
  • Relatório inicial de energia, determinação do perfil e linha de base;
  • Treinamento da equipe de projeto e conscientização dos colaboradores;
  • Objetivos, metas e definição do programa;
  • Responsabilidade e competência, procedimentos e instruções escritas;
  • Validação de sistemas de medição e análise dos indicadores;
  • Auditoria interna e definição de ações corretivas e revisão do sistema;
  • Auditoria de certificação.

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