Hummm, será? A lógica seria essa mesmo. Se eu falo de um jeito, então devo escrever da mesma forma. Ai, ai ai, sinto informar que não é assim não!

Existe um negócio chamado ‘linguagem coloquial’ (ou informal, ou popular) que é a maneira que falamos no nosso cotidiano e isso tem muito a ver com o lugar onde nascemos, a maneira como fomos criados e educados, sotaques, trejeitos, maneiras, enfim: em um país gigantesco como o nosso, o que se fala aqui, não se fala acolá!

Se não vejamos: a mandioca daqui é a macaxeira de lá ou o aipim de acolá. E o jerimum de lá e a abóbora daqui. E o que falar da mexerica daqui (daqui é São Paulo) que é a bergamota (lá no Sul). E as duas são simplesmente tangerinas (aliás, descobri que a tangerina tem nomes pra lá de diferentes dentro do nosso Brasil: laranja-mimosa, mandarina, fuxiqueira, poncã, manjerina, laranja-cravo, mimosa, vergamota, clementina, bergamota). E isso, se ficarmos somente no quesito alimentos.

Mas essa introdução toda é para te mostrar que, muitas vezes o que falamos não é o que escrevemos. A internet tem ajudado um bocado na desconstrução de anos e anos de sala de aula. A necessidade da rapidez que a internet nos obriga, fez com que muitas palavras fossem engolidas, transformadas, maquiadas, deturpadas e, no final: assassinadas no mundo virtual.

Afff, Meire, quanto drama! Se for para facilitar a vida da gente que mal tem?

Ok, meu povo, eu concordo com as abreviações, eu uso ‘vc’, ‘tb’, ‘qq’ o tempo todo. Mas não é disso que estou falando. Estou falando de coisas do tipo: ‘agente’ – que não é o James Bond, mas sim uma maneira errada de escrever: a gente. Ex.: ‘A gente vai junto pra festa’. Eu adoraria que escrevessem: Nós vamos juntos à festa. Mas, tudo bem! O que não aceito é: ‘Agente vai junto na festa’. Aí, abusou da amizade!

Outro clássico: ‘concerteza’. Onde, me digam, a pessoa aprendeu que existe essa palavra! E o amigo inseparável de ‘concerteza’, o ‘derrepente’. E a pessoa ainda repete o ‘r’ para mostrar que conhece do riscado.

Queridos, com certeza vocês já entenderam que, de repente, eu fiquei bem brava com essas palavras!

E temos uma infinidade de outras: ‘porisso’ (correto: por isso) e ‘Apartir’ (correto: a partir). Qual o problema aqui, preguiça de dar um espaço?

Ah, tenho outro clássico aqui: ‘nada haver’ quando o certo é nada a ver, no sentido de: “Não tenho nada a ver com essa história” ou “Isso não tem nada a ver comigo”.

Uma palavrinha pequena e que sempre derruba nosso texto é o ‘mais’ e seu irmão ‘mas’. O ‘mais’ é para você, engenheiro, pois se refere sempre à adição. Ex.: Eu prefiro um projeto mais detalhado a outro mais básico. E o ‘mas’ é usado no lugar do ‘porém’. Ex.: Estou cansado, mas vou estudar ainda mais.

Outro caso comum na fala que se repete na escrita: não existe plural para o verbo fazer e haver. Vamos aos exemplos:

  1. Faz cinco horas que ele saiu (correto).
  2. Fazem cinco dias que não te vejo (errado).
  3. Houve muitos gritos naquela reunião (correto).
  4. Desde que mudei para cá, houveram muitos gritos no prédio (errado).

Mais alguns campeões de audiência: ‘menas’ – não existe, ok? O correto é ‘menos’. Assim como ‘meio dia e meio’ também está errado – o correto é ‘meio dia e meia’ (de meia hora). ‘Arterístico’ também não existe, o correto é ‘asterisco’. Quando for tirar uma cópia, o correto é xerox e não ‘xérox’, alias o correto é fotocópia mesmo, Xerox é marca. Aerosol com som de ‘z’ é errado. Eu sei que é estranho, mas o correto é Aerossol. A palavra sintaxe (parte da gramática que ensina a concordância das palavras) sempre foi pronunciada como ‘sintakse’, eu falei dessa forma por muitos anos. Mas, infelizmente a pronúncia correta é ‘sintásse’. O mesmo acontece com ‘inexorável’ (implacável, rígido), se você pronuncia ‘ineczorável’ está errado! Juro! A pronúncia correta é ‘inezorável’.

Outra que, tenho certeza, você sempre pronunciou achando que estava certo é subsídio. Me conta, você fala ‘subzídio’, não é? Então, sinto informar que a pronúncia correta é ‘subcídio’. Outra que caiu no gosto popular: perturbar. Muitas pessoas pronunciam ‘pertubar’. Mais uma: entertido (errado) para entretido (correto). E aí entra uma palavra que é derivação desta: entretenimento (correto), muitos pronunciam ‘entertenimento’ ou ‘entreterimento’ (erradas).

Agora tem algumas palavras que, durante minha pesquisa de pronúncia eu descobri que ‘euzinha’ estava falando errado! E como a vida é um eterno viver e aprender, vamos a elas:

Feche a porta: ‘Féche a porta’ está errado! O correto é a pronúncia que os nordestinos usam, ou seja, ‘Fêche’ com o ‘e’ fechado (os acentos são ilustrativos, ok?).

Outra: Extra. Eu sempre falei ‘éxtra’ assim, aberto. E quem estava pronunciando certinho? Novamente, nordestinos e também os cariocas que falam ‘Êxtra’ (se bem que os cariocas falam ‘Êixxxxxtra’ – brincadeirinha, amigos cariocas!). Pois bem, quando você for ao Supermercado Extra, lembre-se que o correto é ‘êxtra’. Aprendi!

Ufa! Quanta informação! Espero ter te ajudado com algumas delas. Eu sei que é complicado depois de anos falando de um jeito. Mas é sempre tempo de aprender a falar e a escrever de um jeitinho melhor.

E para relaxar:

feice

FACE (Facebook)

hrusheys

HURSHEYS (marca de chocolate)

heineken

HEINEKEN (Cerveja)

boxcolunistas-meire