Você sabia que o esgoto gerado em sua casa pode ser transformado em energia? Sim, isso é possível.

RTEmagicC_tecnologia_saneamento.jpgUma pesquisa realizada na Bahia pela Coelba e pela Embasa, em parceria com agência de cooperação alemã GIZ e a Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) já testa o uso do biogás captado do esgoto para gerar energia. O projeto piloto é realizado na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Jacuípe II, em Feira de Santana, que atende a 100 mil habitantes. O estudo ainda não foi concluído, mas a estimativa é que com a energia elétrica gerada poderá atender a 80% da demanda da ETE.

O processo funciona da seguinte forma: na decomposição do esgoto são liberados gases denominados de biogás, que tem entre os principais componentes o metano. Esse biogás é captado por reatores UASB (Upflow Anaerobic Sludge Blanket), uma espécie de biodigestor que converte a matéria orgânica em biogás através da digestão anaeróbia, e esse biogás é usado para geração de energia. Vale ressaltar que essa técnica só funciona em estações de tratamento que usam o processo anaeróbio. No Brasil, elas representam 90%.

De acordo com a gerente do projeto, a engenheira da unidade de eficiência energética da Coelba, Daniela Freitas, a pesquisa quer avaliar quanto custa instalar uma planta dessa no país e se é viável financeiramente. “A Coelba entra como agente de fomento para mostrar que a tecnologia existe e de que forma pode ser viável dentro da nossa tipologia de clima, além de ser mais uma alternativa de energia”, defende a especialista.

Efeito estufa

Como o impacto do metano é 21 vezes maior no efeito estufa do que o do gás carbono, a técnica ainda evita a degradação do meio ambiente.

Pois, quando o esgoto é transformado em energia, esses gases deixam de contribuir para o efeito estufa. Isso mostra que, além de economizar no consumo da energia tradicional, o uso do biogás para geração de energia ainda traz benefícios ao meio ambiente. “Proporciona um ambiente mais interessante captar esse gás ao invés de lançá-lo no meio ambiente”, explica a engenheira. Embora lá fora o método já venha apresentando resultados satisfatórios, a engenheira chama a atenção para as características locais. “Existem várias soluções amplamente utilizadas lá fora, mas não podemos trazer uma solução pronta, temos que adequá-la às nossas peculiaridades”, ressalta. A engenheira acrescenta ainda que a tipologia do clima influencia muito no tratamento de esgoto. “O efluente que está tratando é outro fator que conta.

Todos esses parâmetros vão determinar a carga orgânica que vai gerar o biogás. É isso que vai determinar quanto vai se conseguir gerar na estação”, explica Daniela Freitas. O propósito dessa primeira planta é mensurar quanto que será possível produzir. “Pelo conteúdo de biogás que captamos nas primeiras amostras, a gente estimou que vai atender a 80% da demanda”, afirma a gerente do projeto.

O trabalho começou mensurando os dados existentes na estação. Foi avaliado quanto ela consome de energia, instaladas medidas para acompanhamento online da vazão efluente, da carga orgânica e outros parâmetros necessários para modelar o sistema. A pesquisa será finalizada ano que vem. “A gente vai tentar estudar um componente nacional que possa compor esse sistema de geração. Hoje a gente importa. Vamos tentar encontrar uma solução nacional de equipamentos que possam suprir a nossa demanda”, informa a engenheira.

Economia

As empresas de saneamento consomem quase 3% de toda a eletricidade gerada no país, sendo energia elétrica o seu segundo maior custo operacional, só ficando atrás das despesas com mão de obra, conforme veiculado pelo Biogás Journal, produzido pela German Biogás Association.

Nesse caso, o uso de biogás para geração de energia elétrica se mostra estratégico para a redução de custos e diversificação e descentralização da geração de energia.

Segundo informações da Agencia Nacional de Energia Elétrica “ANEEL”, até 2013 havia apenas três estações de tratamento de esgoto gerando eletricidade no Brasil, sendo que duas delas o fazem a partir do biogás proveniente da digestão de lodo.

Fonte: Correio 24 horas