Os Dispositivos de Proteção contra Surtos (DPSs) que protegem as entradas de sinal dos Equipamentos da Tecnologia da Informação (ETIs) devem ser especificados também através da corrente de surto (10/350µS ou 8/20µS) seguindo o mesmo conceito de Zonas de Proteção contra Raios (ZPRs).
O cuidado especial na especificação de DPSs para entradas de sinais deve-se a que na maioria das aplicações este DPS estará em série com o equipamento protegido e a corrente de sinal será conduzida através dele em regime permanente, o que acarreta a necessidade do DPS conduzir está corrente interferindo com ela o mínimo possível. Esta situação é totalmente diferente da existente nos DPS de energia tipo I e II, onde o DPS não conduz corrente alguma além da corrente de surto ou eventualmente alguma corrente de fuga.
A interferência do DPS na transmissão do sinal ocorre porque o protetor possui capacitâncias, resistências e indutâncias intrínsecas, que interagem com a frequência ou a intensidade da corrente de sinal ocasionando uma perda da informação transmitida.
O profissional que especificar o DPS para sinal deve levar em conta a máxima frequência de transmissão do DPS e compara-la com a frequência de operação do equipamento protegido. Se o sinal do equipamento opera com uma frequência maior do que o DPS consegue conduzir este DPS é incompatível com o equipamento protegido e necessitará ser substituído por outro mais adequado. Sempre haverá uma interferência e sempre a instalação do DPS de sinal significará uma perda no sinal transmitido, cabe ao projetista verificar se o DPS especificado pelos critérios de corrente de surto e nível de proteção, também atende ao critério adicional de mínima interferência com a transmissão.

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DPS para cabo coaxial com conexão BNC

Existem sistemas de comunicação bem definidos que facilitam a especificações dos DPS pela padronização das suas características técnicas. Os fabricantes de DPS normalmente disponibilizam seus produtos com a informação para qual tipo de sistema seu DPS é adequado, cabendo então ao projetista informa ao fabricante do DPS para qual aplicação será utilizado o DPS.

Como os condutores de sinal não se dividem em quadros de distribuição como os condutores de energia, os DPS para entradas de sinal precisam ser instalados individualmente para cada condutor que deve ser protegido. Por isso existem basicamente três tipos de DPS:

  • DPS para proteção básica que deve ser instalado entre as ZPRs 0B e 1, junto à Barra de Equipotencialização Principal (BEP);
  • DPS para proteção combinada que pode ser instalado entre quaisquer ZPRs;
  • DPS para proteção fina que deve ser instalado entre as ZPRs 2 e 3, junto ao equipamento.
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DPSs para entradas RJ 45. Vermelho – Proteção básica / Azul – Proteção combinada / Verde – Proteção Fina

Sem nenhuma sombra de dúvida a proteção de entradas de sinal é o maior desafio para a proteção contra surtos. A norma NBR5419-2015 apresenta um conjunto de medidas chamadas Medidas de Proteção contra Surtos (MPS) que envolvem a blindagem e o roteamento dos cabos e a utilização de DPSs através de uma filosofia de proteção.

Nos próximos artigos iremos continuar abordando a proteção de ETIs de um ponto de vista bem prático e objetivo. Caso seja interessante para vocês nos enviem suas dúvidas que trataremos delas nos próximos artigos.

Referências:

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