Como escolher a marca do Dispositivo de Proteção contra Surtos

Por Sergio Roberto Santos

Em muitas situações é necessário indicarmos de que fabricante deve ser comprado o Dispositivo de Proteção contra Surtos (DPS) para o nosso projeto. Embora seja um assunto polêmico, esta é uma questão que não pode ser evitada.

Em uma pesquisa realizada pela Abracopel¹ foram identificados 20 fornecedores de DPS tipo II, os mais utilizados, atuando regularmente no Brasil. O DPS de menor preço custava 11,4% do preço do seu equivalente de maior preço.

Obviamente o preço é um fator importante para a escolha do DPS, mas existem outros fatores que devem ser levados em consideração, já que um DPS não pode ser testado antes que ele venha a atuar, e a utilização de um produto de má qualidade pode comprometer toda uma instalação elétrica.

Para escolhermos um DPS devemos verificar se ele possui certificação baseada em uma norma nacional ou internacional, no caso a NBR IEC 61643-1:2005², sobre os requisitos de desempenho e métodos de ensaio dos DPS. Caso o fabricante coloque em seu material de divulgação que os seus produtos são testados, provavelmente significa que eles são testados por critérios próprios do fornecedor e não certificados através de um órgão certificador através da aplicação da norma IEC 61643-1:2005. Qualquer produto pode ser testado, sem que este teste signifique algo relevante para aquilo a que ele se destina.

Para verificarmos a qualidade dos DPS devemos verificar se o fornecedor, que nem sempre é realmente o fabricante do DPS, disponibiliza as informações necessárias para a sua especificação, como o nível de proteção, seu tipo, o valor do dispositivo de proteção exigido, além das próprias correntes de impulso ou surto, conforme o caso. Por norma muitas destas informações devem estar no próprio corpo do DPS, devido a sua importância. Fabricantes de qualidade disponibilizam informações, fabricantes de baixa qualidade as omitem.

Como a responsabilidade pela escolha do DPS é de quem escolhe e não de quem é escolhido, cabe ao profissional conhecer as normas NBR 5410-1 2004³, NBR 5419-1/2/3/4:20154 e NBR IEC 61643-1:2005, comparar o catalogo de vários fabricantes e ler artigos disponíveis sobre o assunto.

 

Em resumo não devemos terceirizar a escolha do DPS para nossos clientes, caso sejam leigos, ou para o próprio fabricante.

Por mais caro que seja o DPS devemos comparar o seu custo com os prejuízos causados por um surto de tensão. Embora possam ter características semelhantes, os DPS disponíveis no Brasil variam muito em relação a sua qualidade e ao seu preço.  Qualquer decisão sobre qual marca utilizar será válida apenas se escolhida através de critérios objetivos comparando o preço do DPS, os valores de seus parâmetros e a sua qualidade.

 

  • Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (ABRACOPEL), abracopel.org.br
  • ABNT NBR IEC 61643-1:2007. Dispositivos de proteção contra surtos em baixa tensão. Parte 1: Dispositivos de proteção conectados a sistemas de distribuição de baixa tensão – Requisitos de desempenho e método de ensaio.
  • ABNT NBR 5410:2004 Errata 1:2008. Instalações elétricas de baixa tensão.
  •  ABNT NBR 5419-1/2/3/4:2015. Proteção contra descargas atmosféricas:
    Parte 1 – Princípios gerais;
    Parte 2 – Gerenciamento de risco
    Parte 3 – Danos físicos a estruturas e perigos à vida;
    Parte 4 – Sistemas elétricos e eletrônicos internos na estrutura.