Ainda existem várias dúvidas sobre a especificação de Dispositivos de Proteção contra Surtos (DPS). Com a publicação em 2015 da nova edição da norma técnica ABNT NBR 5419-2015, Proteção contra descargas atmosféricas, nós passamos a ter um documento muito mais completo sobre este assunto, mas até que esta norma esteja bem incorporada ao conhecimento dos profissionais de instalações elétricas devemos ter cuidado com alguns equívocos que normalmente são cometidos.

  • Desconsiderar que os DPSs são divididos em 3 tipos.

Os DPSs são divididos em tipos I, II e III, tendo cada um a sua própria atribuição específica. Um DPS tipo X não pode ser comparado e substituir um DPS tipo Y em nenhuma circunstância porque o tipo do DPS é definido por um conjunto de parâmetros e não apenas pela corrente de surto.

  • Não especificar o fabricante dos DPSs.

Os DPSs são dispositivos elétricos que atuam em situações especificas que acontecem de forma aleatória sem que possamos controla-las. Por isso um DPS pode ficar inativo por grande período e subitamente entrar em operação. Fica claro então que produtos de baixa qualidade não apresentam a confiabilidade necessária para um DPS. Cabe ao projetista ou instalador deste dispositivo orientar seu cliente sobre quais marcas são confiáveis segundo os seus critérios.
Caso a sua especificação seja correta, mas o DPS adquirido seja de baixa qualidade, todo o objetivo da proteção será perdido. Neste caso devemos pensar quem é o leigo e quem é o profissional.

  • Instalar o DPS no lugar errado.

Um DPS não pode ser especificado apenas pelo diagrama unifilar como um disjuntor ou um fusível. O DPS está relacionado a fenômenos eletromagnéticos onde a sua posição é fundamental para que ele desvie a corrente de surto corretamente, em termos de quando e onde. Se um DPS não estiver posicionado corretamente ele poderá:

  1. Não identificar um surto existente na instalação que ele deve proteger;
  2. Atuar após o surto danificar a instalação ou especificamente um equipamento;
  3. Possuir uma tensão residual maior do que a suportável pela instalação ou equipamento protegido.

A especificação dos DPSs apresenta sua complexidade. Algumas aplicações são mais fáceis do que outras, mas os erros apresentados acima são os mais comuns e os mais simples de serem evitados. Como só é possível verificar se as Medidas de proteção contra Surtos (MPS) descritas na parte 4 da norma NBR 5419-2015, Sistemas elétricos e eletrônicos internos na estrutura, foram aplicadas corretamente pela inexistência de danos à instalação após certo período, é realmente necessário projetar, instalar e manter os DPS de forma 100% correta, caso contrário a proteção contra surtos não terá nenhum valor.

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Figura 1. Instalação elétrica danificada

Cortesia Programa Casa Segura

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