Ao menos nos próximos anos, carros totalmente elétricos devem continuar escassos no mercado brasileiro. Foi essa a sensação que ficou após o 13º Salão Latino-Americano de Veículos Híbridos-Elétricos, realizado em São Paulo em setembro. A falta de políticas públicas, os custos de produção e a autonomia das baterias seguem como as principais barreiras para os veículos elétricos.

Apesar de todo o debate em palestras sobre a importância de haver uma redução dos poluentes lançados na atmosfera, uma frota completamente elétrica seria inviável por inúmeros fatores.

Gerente comercial da Eletra, Iêda Maria Oliveira entende que há uma dificuldade por conta das dimensões geográficas do Brasil. “Uma frota 100% elétrica aqui é impossível. Não tem como comparar o País com a França, por exemplo. Imagine um ônibus elétrico indo de São Paulo a Manaus, precisando recarregar a todo instante”, afirmou. “Porém, acreditamos que para veículos que só rodem na cidade, isso é perfeitamente possível. Nossa luta não é somente pelos elétricos, mas por qualquer fonte de energia mais limpa.”

Demanda elétrica

Já para Danilo Leite, especialista em inovação da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), uma frota totalmente elétrica também seria inviável por conta da alta demanda. “Hoje, se todos os carros brasileiros fossem elétricos, precisaríamos de uma nova Itaipu para dar conta do consumo”, afirmou.

Apesar disso, Leite afirma que é necessário que a capacidade de geração de energia, e a tecnologia dos veículos elétricos precisam caminhar juntas. “Juntamente com a ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), queremos derrubar essa discussão do que deve vir primeiro, se é a infraestrutura, ou o veículo. Entendemos que tudo precisa ser feito simultaneamente.”

Revisão de taxas

Outro ponto que sempre vem à tona é a carga tributária. Para o presidente da ABVE, Ricardo Guggisberg, é necessário que haja uma ampla revisão dos impostos dos veículos elétricos para torná-los mais competitivos no mercado. “Um carro elétrico paga 25% de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Para um carro flex, essa alíquota é de 7,5%”, declarou.

Segundo Guggisberg, seria interessante que o estado de São Paulo também oferecesse mais incentivos, por conta das montadoras que se localizam no território paulista. “É a região brasileira que mais produz veículos. Por conta disso, deveria oferecer mais benefícios aos fabricantes”, finalizou.

Na Europa, países como a Alemanha e o Reino Unido já sinalizam com a proibição de veículos a combustão nas próximas décadas. Porém, para o Brasil seguir no mesmo rumo, é necessário que haja uma parceria entre Governo e empresas, de modo que os carros elétricos também sejam desenvolvidos no País.