Com 41 parques eólicos distribuídos em cidades do semiárido, como Caetité, Xique Xique e Morro do Chapéu, o estado da Bahia já o dono do maior potencial para produção de energia eólica do país. Nos últimos seis meses, as usinas eólicas da Bahia geraram, em média, 406 MW de energia elétrica, ainda atrás do estado pioneiro no Brasil, o Rio Grande do Norte, com 650 MW médios de energia.

No entanto, de acordo com a presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), Elbia Gannoum, com os resultados dos últimos leilões de energia somados aos parques já em funcionamento, a Bahia já ultrapassa o Rio Grande do Norte.

“O cenário na Bahia é o melhor possível e muito em breve o estado vai ser o maior produtor de energia eólica. Ele tem, nos últimos três anos, participado dos leilões e é o maior investidor, que vendeu mais projetos nos leilões. E a Bahia tem o maior potencial eólico do mundo”, afirmou a presidente, durante o Fórum das Águas, realizado pelo Consórcio Intermunicipal da Bacia Hidrográfica do Rio Paraopeba (Cibapar), no Instituto Inhotim, em Brumadinho, Minas Gerais. Durante três dias, especialistas do Brasil, Portugal e Estados Unidos discutiram soluções para a crise hídrica vivida pelo país.

De acordo com dados divulgados em agosto pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), a Bahia quase triplicou a produção de energia por usinas eólicas somente neste primeiro semestre, com um crescimento de 297% com relação ao mesmo período do ano passado.A projeção para os próximos três ou quatro anos é de que a Bahia mais do que dobre o número de parques eólicos em funcionamento, ultrapassando de vez o Rio Grande do Norte. Serão mais de 80 novos parques espalhados pelo interior do estado, onde o potencial de geração de energia elétrica pela força dos ventos é maior.

Solução
Na última quarta-feira, 21, a Secretaria Estadual de Infraestrutura Hídrica e Saneamento (SIHS) anunciou um aporte de R$ 529 mil para apoiar municípios localizados às margens do Lago da Barragem do Sobradinho.

Hoje, a capacidade do Lago da Barragem é de apenas 5,59% do volume útil de armazenamento. Segundo a secretaria, a previsão é que o volume morto seja alcançado em novembro, quando o nível da água alcançará 5,455 bilhões de metros cúbicos e será suficiente para um período de três meses.

Também esta semana, o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF) realizou uma audiência pública para discutir a implantação da adutora do Zabumbão, na Bahia, para abastecimento dos municípios de Rio do Pires, Ibipitanga, Macaúbas, Oliveira dos Brejinhos, Boquira e Ibitiara, todas no sudoeste da Bahia. Após críticas e questionamentos sobre a quantidade de água disponível para a obra e a ampla discussão com a comunidade, uma nova audiência foi remarcada para o dia 4 de novembro.

Para a presidente da ABEEólica, Elbia Gannoum, a solução para a continuidade da geração de energia, especialmente em períodos de escassez de água, é possuir uma matriz diversificada de geração. “Se você vai à região de Sobradinho, Petrolina, Juazeiro, é estarrecedor a situação desses rios, da seca. Quando nós pensamos em geração de energia, nós não podemos contar com esses rios, esses reservatórios. Uma forte dependência das hidrelétricas pode nos deixar em uma situação complicada”, apontou.

No Nordeste, segundo dados da ABEEólica, 20% do consumo de energia elétrica já provém da geração das usinas eólicas. É isso que faz com que, para especialistas, o estado dificilmente enfrente um novo racionamento de energia, mesmo diante da crise de abastecimento.

FONTE: correio24h.com.br