Olá! Como anda sua leitura? Sabia que ao ler (qualquer coisa: placa de rua, bula de remédio, manual de carro etc.) você aumenta sua capacidade de escrever corretamente? É sério! Segue a frase do dia: LEIA MAIS, ESCREVA MELHOR!

E aí que fiquei pensando sobre o que falar com vocês. São tantas dúvidas que nossa amada Língua Portuguesa nos inflige (infligir = impor, aplicar no sentido de pena, castigo etc.) que às vezes, como diria Antonio Fagundes no filme Deus é Brasileiro (se não viu o filme, veja!), “o sujeito cansa”.

Pois bem, resolvi então conversar sobre a vírgula! Essa mocinha intrometida, que se insere dentro de nossos parágrafos sem dó, nem piedade. E aí que nós, simples mortais, acabamos por cometer alguns erros que podem até nos causar problemas futuros. No geral, erramos pelo excesso e não pela falta da vírgula. Preferimos colocar a mocinha em toda parte, só para garantir!

É bom lembrar que, no caso do uso da vírgula, não dá para usar a máxima da ‘parada para respirar’, ou seja, nem sempre as paradas que damos ao ler, se referem à pausa de uma vírgula. Essa mocinha é mais complicada que outros acentos, como interrogação, exclamação, ponto final. Essa turma aí é bem mais fácil de identificar e inserir em uma frase, já a dona vírgula…

Tem regra para vírgula, Meire? Sim, tem regra para vírgula. Mas, como eu sou rebelde, vou te dar algumas dicas para se lembrar da vírgula, sem precisar decorar regrinhas, ok?

Encontrei uma analogia bem propícia a este texto e, principalmente, para onde este texto irá morar (no Portal Universo Lambda). Quem a criou foi o Prof. Diego Raigorovosky e ele diz o seguinte: “Pense na vírgula como um circuito elétrico. Quando você lê uma frase com ordem direta, ou seja, uma frase em que todos os elementos seguem uma ordem direta, temos um circuito elétrico direto”. Exemplo: O disjuntor apresentou um problema. Aí temos: sujeito – o disjuntor; verbo – apresentou; um problema – complemento (lembram-se disso?). Então, temos aí um circuito direto. Então, a vírgula não é necessária.

Porém, se a frase apresentar ordem indireta, ou algum elemento que interrompa ou bloqueie a ordem do circuito, aí precisaremos da vírgula. Lembrando que o uso da vírgula entra em termos: omitidos, repetidos, explicativos e desligados. Exemplos?

Omitidos: Eu, academia, detesto! Neste caso, aconteceu uma perturbação na ordem da frase (parece que estou falando de qualidade de energia – perturbação na senóide…rs). Pois bem, a ordem natural seria: Eu detesto academia! Mas, resolvi fazer uma graça na frase e mudei sua ordem, então essa perturbação precisa de uma vírgula.

Repetidos: Este é o mais simples. Quando queremos enumerar diversos itens, pode colocar a dona vírgula que é tiro certo. Vamos lá: Eu preciso comprar ovos, pão, frios e leite. Repetiu, coloca vírgula.

Explicativos: Existem 3 expressões explicativas que exigem vírgula: isto é, ou seja, por exemplo – apareceram na frase, vírgula nelas!

Desligados: quando um termo é desligado da frase, ou seja, é meio que um ‘ser estranho’ na frase, você usa vírgula. Exemplo: Vai João, ser alguém na vida! Se tirássemos o João, também tiraríamos a vírgula: Vai ser alguém na vida.

E quando colocamos a vírgula em locais inadequados, tudo pode acontecer. Veja esta historinha que pesquei na internet:

Num reino muito antigo, Lucas, um homem inocente morre! Lucas teria sido condenado à forca por suposta tentativa de homicídio de uma moça da nobreza. Minutos antes do enforcamento de Lucas, o rei Robert recebe um pergaminho de Amélia, uma espécie de delegada da época, com os seguintes dizeres:

Homem bom não, mate-o!

Robert então deu o aval para o enforcamento de Lucas, com a certeza de que era culpado, com os dizeres escritos por Amélia. Amélia quis salvar Lucas, mas um erro de colocação da vírgula acabou por enforcar um homem inocente.

Trágico, não? Mas, verdadeiro!

Vejam este texto redigido e veiculado pela ABI – Associação Brasileira de Imprensa e depois, assistam a este mesmo texto transformado em um vídeo bem bacana:

“A vírgula pode ser uma pausa… ou não…

Não espere!

Não, espere!

Ela pode sumir com seu dinheiro…
23,4.
2,34.

Pode ser autoritária…
Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.

Pode criar heróis…
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

E vilões…
Esse, juiz, é corrupto.
Esse juiz é corrupto.

Ela pode ser a solução…
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião…
Não queremos saber.
Não, queremos saber.

Uma vírgula muda tudo…”

Gostaram? Lembrem-se que suas dúvidas e comentários, são meu combustível! Escrevam, critiquem, elogiem (a parte que eu mais gosto), falem de mim! Grande abraço e até a próxima!

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