Imagine que, antes mesmo de sair de casa, você já possa verificar onde vai estacionar o carro e reservar essa vaga. Ou que um deficiente visual possa receber orientações de trajetos pela cidade por meio de sensores espalhados por ela e ligados à internet. Essa conectividadeentre bancos de dados de cidades e objetos à palma da mão é uma das característica das cidades inteligentes (ou digitais), também chamadas smart cities, uma revolução em curso no mundo.

Uma cidade inteligente é aquela que usa tecnologias digitais para melhorar a qualidade dos serviços públicos e privados, além de reduzir custos e consumo de recursos. O primeiro exemplo dado aqui já é usado em Barcelona. O segundo, é aplicado em Londres. Enquanto isso, no Brasil ainda tentamos entender do que se trata o assunto.

– Nossas administrações municipais não sabem o que são cidades inteligentes, falta visão. Há pouquíssimas iniciativas, muito pontuais e sem um objetivo claro. Tem prefeito que acha que colocar wi-fi grátis já é o bastante. Mas para quê? Para acessar o Facebook? Isso está realmente agregando? – questiona o diretor da Vertical Conectividade e coordenador da Associação Catarinense das Empresas de Tecnologia (Acate), Diego Brites Ramos.

Segundo ele, um dos poucos exemplos da iniciativa no Brasil é o Porto Maravilha, a região aeroportuária do Rio de Janeiro, que foi completamente revitalizada para asOlimpíadas. Com a reforma, o local passou a contar com ingredientes de cidades inteligentes graças a uma parceria entre a Cisco e o município carioca. Lá, uma plataforma conectada à internet conta com 15 serviços urbanos. Um deles é o microfone inteligente, que detecta sons suspeitos – de tiro, por exemplo – e avisa a central de controle de segurança do Rio.

A primeira coisa que perdemos por não investir nesse setor é qualidade da vida. Afinal, uma cidade mais conectada é também mais eficiente, com serviços públicos de melhor qualidade e com menor custo. A outra coisa que se perde – ou se deixa de ganhar – é dinheiro.

De acordo com um estudo da consultoria global Navigant Research, em 2016 o mercado voltado para soluções em cidades inteligentes deve movimentar US$ 36.8 bilhões. Em 2026, a cifra deve alcançar US$ 88.7 bilhões. Boa parte disso vem dos produtos voltados para gestão de energia. Mas também há soluções em transportes e outras áreas.

Se há demanda por parte do setor público, a tendência é que mais empresas se interessem em atuar no ramo, gerando mais receita para os municípios e soluções aos cidadãos, num ciclo virtuoso.

– É algo que pode começar com um bairro, não precisa ser a cidade inteira. Começa ali, faz um laboratório e vai expandindo. Isso também serve de exemplo para outros lugares. Mas é preciso começar, dar o chute inicial – diz Ramos.

As melhores no mundo e no Brasil

Neste ano, o ranking da consultoria Urban Systems mostrou que São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba são as cidades mais inteligentes do país. O Connected Smart Citiesanalisou 73 indicadores divididos em 11 eixos, como educação, mobilidade urbana e sustentabilidade.

Para se ter uma noção de quanto o Brasil ainda precisa caminhar, de todos os 11 pontos possíveis, as cidades brasileiras atingiram apenas metade. A catarinense mais bem colocada é Florianópolis, que aparece em sétimo lugar. A seguir vêm Blumenau, em 23º, e Joinville em 27º.

Em nível mundial, há um ranking elaborado pelo think tank nova-iorquino Intelligent Community Forum (ICF). Neste ano, as top 7 smart cities foram Hsinchu County (Taiwan), Montreal (Canadá), Muelheim an der Ruhr (Alemanha), New Taipei City (Taiwan), Surrey (Canadá), Whanganui (Nova Zelândia) e Winnipeg (Canadá).

A liderança da cidade taiwanesa vem de iniciativas de mais de duas décadas atrás. Em 1980, o Conselho Nacional Científico de Taiwan criou seu primeiro parque tecnológico em Hsinchu County, como uma forma de criar uma indústria doméstica de alta tecnologia. Hoje, o parque conta com 500 companhias que empregam mais de 150 mil pessoas e faturam US$16,6 bilhões ao ano.

Fonte: dc.clicrbs.com.br