Por Erica Ortiz

 

Olá pessoal, como vai?

Hoje daremos continuidade à nossa série de textos sobre Sistemas de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA), ou como é popularmente conhecido, para-raios.

Executar a instalação de um SPDA parece simples, e sem a necessidade de um alto teor de conhecimento técnico. Mas será que essa percepção é realmente verdade?!

Pensando nisso, selecionamos cinco erros comuns na hora de realizar a execução de um projeto de SPDA. Aqui vão elas.

  1. Não equipotencializar as antenas, mastros e estruturas metálicas existentes na cobertura da edificação.

Segundo a norma NBR5419:2015, todas as estruturas metálicas devem ser equipotencializadas ao SPDA. Isso deve ser feito, pois pode acontecer centelhamentos perigosos entre o SPDA externo e as instalações metálicas. É comum encontrarmos antenas, estruturas metálicas sobressalentes, rufos, mastros etc., na cobertura das edificações com SPDA externo. Em muitos casos, por vezes até por esquecimento, esses não possuem ligações equipotenciais, o que pode representar perigo.

  1. Instalar rufos por cima dos condutores captores.

Quando o SPDA projetado é pelo método das malhas, os condutores captores devem ser instalados na periferia e nas saliências da cobertura da estrutura. Em alguns casos, detectamos que há a instalação de rufos por cima desses condutores captores. Quando acontece isso, a função de captação perde as propriedades iniciais. Portando, o rufo sempre deve ser instalado embaixo dos condutores captores do SPDA.

  1. Instalar SPDA com produtos e materiais com baixa qualidade.

Falar de redução de custos já virou atividade quase que diária de empreendimentos. O problema acontece quando na expectativa de cada vez mais reduzir os custos, colocamos na execução do SPDA, produtos e materiais que são muito mais baratos e sem a mesma qualidade que os concorrentes com preço superior.

O Brasil é líder mundial na incidência de descargas atmosféricas por ano. Essa por si só já é uma afirmação que ressaltaria a importância de utilização de materiais e produtos com qualidade. Imagine, se na hora que cair uma descarga atmosférica, a baixa qualidade dos materiais e produtos não seja suficiente para aguentar o esforço que a descarga atmosférica exige. Fatalmente, sua instalação apresentará problemas. Sabe aquela afirmação, o barato pode sair caro. Então verifique bem a qualidade dos fabricantes que está utilizando.

  1. Não seguir corretamente o projeto.

Pode parecer uma afirmação óbvia. Mas é muito difícil encontrar uma execução de SPDA em que esta esteja totalmente de acordo com o projetado. Concordo que, em muitos casos, essas modificações são inevitáveis. O problema é quando elas acontecem de acordo com a conveniência do instalador, não utilizando-se de qualquer critério. Em muitos casos, quando a execução do SPDA chega ao final, não é possível sequer identificar que o SPDA instalado é o mesmo que foi projetado.

Todo projeto é feito pensando em uma série de possibilidades, alternativas, cálculos etc. O projetista considera diversos quesitos, muitas vezes não percebíveis no papel. Alterar o projeto na execução de um SPDA, sem entrar em contato com o projetista, pode causar diversos problemas graves. Além disso, isso isenta a responsabilidade do projetista em caso de algum sinistro futuro.

  1. Não utilizar aterramento em anel.

Os leitores que me acompanham há mais tempo devem estar pensando. Poxa, de novo?! Sim amigos, de novo. É ainda muito comum as instaladoras não colocarem aterramento em anel para a instalação do SPDA. E, novamente reforçamos, o único sistema de aterramento permitido pela NBR5419:2015 consiste em circundar a edi­ficação através de uma malha de aterramento, formando um anel fechado ou utilizar a própria estrutura da edificação.

A boa execução de um SPDA é um fator essencial para que este tenha seu funcionamento garantido. Ter conhecimento técnico do assunto, com plena ciência do seu comportamento e características, é vital para os instaladores de SPDA. Afinal, a principal função do SPDA é proteger a vida das pessoas, e caso seu funcionamento esteja comprometido, a vida das pessoas também pode ser colocada em risco.

Então até a próxima pessoal, Grande abraço, Erica Ortiz