O mercado brasileiro de Tecnologia está cada vez mais competitivo. Em especial, o ano de 2015 vem se mostrando bastante desafiador. São vários os fatores que ajudam a entender este cenário:

  • Diminuição dos investimentos na capacidade produtiva da indústria;
  • Aumento dos custos de produção;
  • Escalada de preços na área de serviços;
  • Baixa expectativa para o crescimento do PIB (ou até mesmo seu recuo);
  • Investimento precário em pesquisa e desenvolvimento;
  • Baixo índice de confiança por parte do empresariado

O cenário traz desafios. E todo conjunto de desafios traz consigo uma série de oportunidades!

Profissionais de sucesso sabem que é preciso passar por momentos difíceis para crescer e mostrar seu verdadeiro valor. Grandes navegadores devem a sua reputação às tempestades que enfrentaram!

Partimos da premissa que sabemos o que fazer. Afinal, não é a primeira vez que passamos por algo assim. E uma das primeiras coisas que normalmente surge em nossas mentes cartesianas e analíticas é que precisamos trabalhar ainda mais. E que para trabalhar mais, precisamos aprimorar nossas aptidões técnicas. Investir em aptidões técnicas é fundamental. Sem dúvida alguma, conhecimento é importantíssimo! Porém, será que estamos atentos a outros aspetos importantes que podem nos trazer um grande diferencial? Estou falando de habilidades e atitudes!

Quando falo de habilidades, estou me referindo a qualquer aptidão adquirida através de treinamento, astúcia ou destreza. Quando falo de atitudes, estou me referindo a maneiras de proceder ou agir, ou seja, comportamentos em geral.

Neste cenário, decidi escrever este artigo como objetivo de passar 5 dicas úteis para Profissionais de Tecnologia em busca de destaque. Estas dicas surgiram a partir da minha experiência atendendo Engenheiros e Técnicos em Programas de Coaching bem como recebendo-os nas salas de treinamento do Instituto Dale Carnegie. Elas se aplicam tanto a quem esteja atuando na sua área de formação, como àqueles que estejam pensando em provocar alguma mudança de carreira. A ideia é abordar alguns pontos que, se trabalhados corretamente, podem levar a nossa carreira para um patamar de destaque no mercado.

Vamos a elas:

  1. Aprenda a dizer “eu não sei”
    Em geral, o processo de formação dos profissionais que atuam no mercado de tecnologia premia a “resposta certa e imediata”. Em outras palavras, os estudantes de ciências exatas são levados a entender que precisam sempre ter a resposta certa no exato momento em que a pergunta é feita. Não basta que a resposta esteja correta. Ela precisa ser apresentada imediatamente. E quem apresenta a resposta correta no menor prazo (muitas vezes medido em segundos) é enaltecido. No mercado de trabalho, esta mente que aprendeu a vincular sucesso com precisão rapidez passa a enfrentar uma enorme pressão por resultados. Este padrão mental sente-se à vontade no início, na medida em que as respostas são conhecidas. Mas ao longo do tempo, quando as perguntas começam a ficar mais complexas, esta mente obcecada por precisão e rapidez tende a ter dificuldade em admitir que precisa de tempo para dar uma reposta coerente. Ainda mais em um ambiente que tende a valorizar a forma em que a resposta é dada. Assim, acaba-se desenvolvendo uma grande dificuldade em dizer três palavras mágicas: “eu não sei”. Dizer “eu não sei” traz benefícios. E o cérebro precisa perceber estes benefícios para mudar seu modo funcional, gerando novos mapas mentais que serão os embriões de novos hábitos e comportamentos. Da próxima vez que se deparar com uma questão muito complexa que exija reflexão, não se precipite em tentar dar uma resposta rápida e precisa. Você não precisa ter uma opinião formada sobre tudo, a todo o momento e para todas as pessoas.
  2. Não julgue as pessoas
    Cuidado com os julgamentos. Mesmo que proferidos (ou mentalizados) de forma sutil, o julgamento é uma poderosa ferramenta de destruição de relacionamentos. Julgar o trabalho ou o comportamento de alguém não é uma escolha assertiva. Grande parte das vezes, nossos julgamentos são frutos de emoções que surgem como consequência de alguma frustração. O alto grau de exigência das nossas mentes precisas e cartesianas aumenta as chances de ocorrência de frustrações. Afinal, nem todos os raciocínios são tão analíticos em um mercado de trabalho heterogêneo e repleto de diversidades. O processo de percepção é subjetivo. Não percebemos o mundo como “ele é”. Percebemos o mundo como “somos”. Isto ajuda a explicar porque o mesmo fato é visto de maneira diferente por pessoas diferentes. Este é um dos principais fatores que alimentam os julgamentos. Julgamos o outro tomando como base a simples constatação de que o que está sendo visto por ele é diferente do que vemos. Da próxima vez que estiver prestes a emitir um julgamento, procure identificar qual a emoção que está por traz desta frustração (medo, raiva etc.). Identifique-a. Observe seu corpo, respire fundo e escolha agir com assertividade.
  3. Descubra e fale sobre coisas que interessem às outras pessoas 

Quando falamos com as pessoas, tendemos a procurar os assuntos que dominamos. Nosso cérebro está sempre em busca de certeza. Falar de assuntos que estão sob o nosso domínio traz esta certeza. Trata-se de um mecanismo padrão do nosso comportamento em busca de destaque. Este mecanismo padrão interpreta que o destaque virá da eloquência e entusiasmo que aplicamos ao discorrer sobre assuntos que estão na nossa Zona de Conforto. Entretanto, é exatamente o contrário que devemos fazer se quisermos nos destacar. Ao longo da nossa experiência profissional, acumulamos um arcabouço de dados e informações relevantes (ao menos no nosso ponto de vista). Esta condição tende a nos fazer pensar que o destaque que tanto buscamos virá pela importância que os outros darão ao nosso elevado grau de conhecimento. Em busca de destaque, queremos ser importantes para as pessoas que trabalham conosco. Acontece que a nossa importância é medida por quanto nos importamos pelos assuntos que interessam às pessoas para as quais queremos ser importantes. Se você busca destaque, estabeleça diálogos que tragam ligações positivas. E para fazer isto um dos caminhos é inverter o gatilho no cérebro. Devemos conduzir conversas sobre assuntos que eventualmente não dominamos, buscando com sinceridade aprender algo novo com a outra pessoa.

  1. Lembre-se que pessoas não são criaturas de lógica

É fato! Temos uma grande paixão pela lógica. Somos exatos. Acreditamos que (quase) qualquer coisa na natureza pode ser explicada através de uma equação. Quando esta equação pode ser expressa de forma gráfica entramos em êxtase. Este padrão que define a forma como construímos grande parte dos nossos pensamentos nos faz esperar que os demais seres ao nosso redor também sejam lógicos. Tendemos a ver as pessoas como sistemas. Uma combinação de impulsos de entrada gerando resultados mensuráveis e previsíveis na saída. A partir deste padrão equivocado, surgem frustrações como “Nossa! Fulano é imprevisível! Cada hora reage de um jeito”. Em seu livro “Como fazer amigos e influenciar pessoas”, Dale Carnegie já dizia: “Quando tratamos com pessoas, lembremo-nos sempre de que não estamos tratando com criaturas lógicas. Estamos tratando com criaturas emotivas, criaturas suscetíveis às observações norteadas pelo orgulho e pela vaidade”. Uma maneira prática de fazer isto é observar nossas emoções. Muitas vezes somos levados a valorizar o lado racional e lógico e tendemos a desvalorizar o aspecto emocional das relações. Portanto, se quisermos ganhar destaque, devemos prestar mais atenção às nossas emoções. Ao identificá-las, nomeá-las e registrar a sua intensidade, passamos a ficar mais perspicazes para identificar as emoções que os nossos interlocutores podem estar sentindo.

  1. Comunique-se com entusiasmo

Em busca de destaque nas interações diárias, a nossas mentes cartesianas tendem a exagerar na valorização do conteúdo que desejamos transmitir. Tendemos a investir muito tempo em lapidar os detalhes do assunto para o qual queremos atenção. Tendemos a aperfeiçoar a lógica dos nossos argumentos quando estamos defendendo uma ideia. Obviamente, tudo isto é muito importante e precisa ser feito. Porém, geralmente nos esquecemos de um componente importante na comunicação: a forma. Se queremos nos destacar na multidão, precisamos dar mais valor a aspectos intangíveis e aprender a despertar o entusiasmo ao longo das nossas interações com outras pessoas. O conteúdo preciso a ser transmitido será muito mais lembrado quanto maior for o entusiasmo utilizado na sua transmissão. Lembre-se! Colocar entusiasmo na forma com que damos um simples “bom dia” já é uma escolha. Experimente! Coloque um pouco mais de entusiasmo nas suas palavras e perceba a reação das pessoas. Perceba ainda o que acontece com seu corpo e conclua a respeito.

Como podemos ver, uma excelente maneira de se diferenciar em um ambiente competitivo é também investir na lapidação de aspectos comportamentais. Conhecimento técnico aliado a habilidades e atitudes adequadas: flexibilidade, habilidades de comunicação, destreza nas relações humanas, controle de stress, capacidade de venda de ideias, gestão de conflitos etc.

Toda esta nova “química” poderá trazer o grande passo de qualidade para nossas carreiras na área de Tecnologia, especialmente em um ano tão desafiador como 2015.

boxcolunistas-bruno