Levantamento da Schneider aponta que eficiência energética ainda não chegou a maioria das empresas

eficiencia_energeticaUm levantamento feito pela Schneider com 236 profissionais de diversos setores da economia apontou que 90% entende o que é eficiência energética. Contudo, apenas 37% das respostas colhidas indicam que as empresas realmente adotam programas estruturados para ações contra o desperdício de energia. Esse conjunto de respostas, disse o gerente Nacional de Vendas em Energia e Sustentabilidade da multinacional francesa, João Carlos Salgueiro, mostra que o conhecimento está confinado em áreas técnicas e que os benefícios da eficiência energética não chegam à organização.

“Mesmo com o atual cenário energético brasileiro, continuamos sendo imediatistas. Quando perguntamos qual seria a prioridade das empresas em termos de combate ao desperdício, a água aparece em primeiro lugar, energia vem depois”, disse ele na última quarta-feira, 8 de abril, durante a apresentação desse estudo. Segundo o executivo, 86% dos entrevistados apontaram que a empresa onde trabalham pretende reduzir o consumo de energia nos próximos três anos. Do total de respostas a meta de redução de consumo é de 10% para 62% das empresas entrevistadas e acima de 20% para 32% das organizações que participaram da pesquisa.

Outra dado destacado pela Schneider é que apesar da energia elétrica ser a principal fonte energética das empresas, estas estão despreparadas para um cenário de racionamento ou interrupção do abastecimento. Isso porque somente 12% dos profissionais afirmaram que suas empresas possuem capacidade de geração, enquanto 38% não têm planos para enfrentar situações como essas. As respostas apontadas como sendo o governo o principal agente indutor e responsável pela eficiência energética no país pode ser a explicação para tal fato, disse Salgueiro.

De acordo com o presidente da Schneider no Brasil, Rogério Zampronha, os dados mostram que há uma grande oportunidade de negócios em eficiência energética no país, principalmente nas medias e pequenas empresas. Segundo ele, as grandes corporações já possuem esse conceito enraizado em sua cultura porque sabem do peso para os custos operacionais. O mesmo não ocorre na maioria das demais empresas. E lembra que essa oportunidade é mais latente em momentos como os que o país vive atualmente pois quanto mais elevada a tarifa de energia, mais viável ficam os projetos em função da redução do retorno do investimento.

O presidente executivo da Abesco, Rodrigo Garcia, que participou do evento realizado pela multinacional francesa, lembrou que o desperdício de energia elétrica atual no Brasil equivale a geração de meia Itaipu ao ano. Esse volume equivale a R$ 20 bilhões de perdas que poderiam ser evitadas por meio de medidas para a eficiência energética.